sábado, 7 de fevereiro de 2015

Esperamos a banda acabar.


O Chico Buarque estava lá, à toa na vida, quando o amor dele o chamou pra ver a banda passar, e ela passou falando coisas de amor. Chico, meu chapa, o amor é seu? De quem é o amor, cara pálida? O amor é uma posse, um direito, uma peça, algo manejável, controlável, tocável? O amor é um algo passível de ser guardado no bolso ou escondido em algum orifício por que sujou? Acho que não né parça? A menos que o seu amor seja algo mais próximo de pansexualismo, sei lá. 
Mas não é disso que eu quero falar. Eu quero falar de quando esperamos a banda acabar.
Era um domingo à noite. Fazia um ligeiro frio, pois deveria ser algo entre julho e agosto, e me recordo de haver um par de cobertas por sobre o colchão. Na parede tinha fotos. Na escrivaninha tinha uma caixinha. Perto da escrivaninha tinha uma janela, que permaneceu a maior parte do tempo fechada, pois estava frio. Perto dali havia um terreno, onde ocorria um show de uma banda que consideramos (por unanimidade dos presentes) ruim. Ouvíamos a banda tocar, sim. Ouvíamos a banda falar de amor, sim. Questionávamos a noção de amor que era falada, sim. Demos graças a deus quando a banda acabou, sim. Então abrimos um pouco a janela e nos apoiamos nela, observando as pessoas que haviam ido assistir a banda falar coisas de amor indo embora. Sei lá se teve amor ali, depois que a coisa toda acabou, só sei que foi mais concreto e palpável do que as coisas que a banda cantou; mas penso que, se aquela gente toda que voltava do show, despediu-se da dor, ai tá valendo e foi legal.


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