segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A noite em que conheci o Capiroto.


Era uma casa simpática, em noite que começou errada. Fazia um frio congelante naquela cidade, mas mesmo assim eu bebia bebida gelada e me mantinha firme, de pé e resistente. Comecei a perceber um movimento diferente na parte de fora da casa, e depois dentro, mas resistia. A música era inegavelmente muito boa. A casa era toda pintada de preto, por dentro e por fora, e pra achar a porta do banheiro era necessário encontrar uma frestinha de claridade que escapava pelos vãos dela - que, também preta, se confundia com a parede do lugar. Certo momento, quando a noite já estava bem adiantada, fui ao banheiro. Pela primeira porta se passava da grande sala de estar para um ambiente com uma pia e outra porta, que dava acesso ao espaço do banheiro (o vaso) em si; aliás, havia apenas um vaso no banheiro. Os dois ambientes do banheiro tinham as paredes forradas com azulejos velhos com estampas de flores. Eram de alguma cor clara, mas não sei qual cor, pois a luz vermelha dos cômodos transformavam os espaços do banheiro em um quarto vermelho - praticamente um daqueles laboratórios de fotógrafo revelar filme. Enquanto urinava de pé, de frente para o vaso sanitário, e observava toda a vermelhidão ao meu redor, uma voz esganiçada e insistente começou a gritar do lado de fora, certamente no espaço da pia. Gritava "preciso mijar, preciso mijar". Em seguida começou a bater na porta, "abre, abre", ele gritava. Tanto forçou a porta com seus socos e tapas que ela cedeu e ele entrou; eu ainda urinava. Quando entrou já tinha o pênis em mãos, e por pouco o primeiro jato dele não me acerta. Era um homem de orelhas pontiagudas e pele branca, mas tão branca, que naquele espaço, em razão da luz, ficou vermelho como pimenta dedo de moça; eu via apenas seu rosto, sua mão e parte de seu pênis (estava frio, e ele vestia uma jaqueta preta fechada). Enquanto urinava soltava urros de prazer olhando para o teto do banheiro. Sem saber o que fazer, retive o que ainda me restava de urina e me preparei para sair do banheiro, mas o homem bloqueava a saída. Pedi licença, ele disse "mija ai, cabe os dois", falei que não e pedi licença de novo, ele insistiu, "já tô acabando", gargalhou alto, "mija ai mano, mija ai caralho". No canto do banheiro assisti aquele homem baixinho, vermelho e com jaqueta preta acabar de urinar, entre urros e gargalhadas de prazer de extremo prazer. Enfim, acabou. Guardou o pênis, ajeitou o cinto e a calça, olhou pra mim e fez uma pergunta. Ai sim, tive certeza: naquela noite conheci o Capiroto.


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