terça-feira, 13 de janeiro de 2015

"Na minha mãe".


Foi fazer a sua sexta tatuagem, na vida e no próprio corpo. Todas eram pequenos símbolos e sinais que lembravam algo ou alguém ou algum momento ou coisa do gênero. A quinta tatuagem havia sido o símbolo de infinito (um oito preguiçoso, pois deitado) realizado em parceria com uma amiga, há cerca de oito meses. Foi, aliás, a última vez que viu tal amiga. Desta vez foi para tatuar três pequenas estrelas (de 0,5cm por 0,5cm cada) no ombro direito; cada estrelinha representava um de seus sobrinhos, nascidos nos últimos dois anos. Foi em uma tatuadora que não conhecia, indicada intensamente por um colega do novo emprego. Antes ainda de se deitar na maca, a moça lhe perguntou: "vi que você tem uma tatuagem no pé, já está acostumada com as agulhadas?", "já, além dessa no pé tenho uma aqui na cintura, outra aqui no pulso, uma aqui nas costas e essa no tornozelo", "uau", comentou a tatuadora, "então vai ser tranquilo fazermos essas estrelas", "vai sim". Enquanto rabiscava a primeira estrelinha, a tatuadora comentou: "e já sabe qual vai ser a sétima tato?", "a sétima? não sei, não pensei ainda", "sabe que não é bom ficar com tato em número par por muito tempo né?", "é?", "é, dá azar". Antes mesmo de começar a terceira estrelinha, já conversava com a tatuadora sobre fazerem, naquela seção mesmo, outra tatuagem: "você escreve 'mãe' com uma letra bem bonita no meu ombro esquerdo?". Dito, feito e tatuada. À noite o plástico de proteção de ambas tatuagens foi fisgado pelo lençol - e ela nem reparou, pois fisgava-se com o boy magia. Em pé, olhando para baixo (e um pouquinho para trás), e vendo os pés do rapaz, falou com vontade: "vem na minha cara", "na sua cara?", "vem", "vou", "vem". O rapaz errou a mira, ela sentiu uma ardência no ombro direito: "ai, você gozou na minha mãe".




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