quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Uma história nojenta.


Estávamos nos enroscando ali naquela situação havia já um bom tempo. Já conhecia bem tanto aquelas curvas corporais quanto as cores dos lençóis disponíveis para cobrir o colchão, e notava que minhas curvas eram já também conhecidas. Eram lugares bons. Mas, quando me refiro a 'bom tempo', me refiro àquela noite mesmo, foi um bom tempo nos enroscando. Até que num sorrateiro golpe físico de inverter pernas e girar tronco, a percebi sentando-se por cima do meu rosto. O que é sempre bom. Saliência da ponta do nariz e superfície total da língua em plena festa passeando umidamente por ali; e o passeio umedecia mais e gerava uma festa dançante, fazendo com que o mexer fosse, na verdade, um intenso rebolar-se e remexer-se por inteiro. A música era boa também, o som do prazer saindo de dentro pra fora sem plasticidade. Certo instante cessou a movimentação e falou seca: "preciso ir ao banheiro". Quando começou a se afastar de mim lhe perguntei: "peraí, por que?", "preciso ir ao banheiro", repetiu, "mas pra que?", insisti, "por que eu preciso oras", "você vai fazer coco?". Titubeou um pouco, mas respondeu afirmativamente que precisava ir ao banheiro para tal. "Faz em mim", eu falei. Olhando-me no rosto, de cima para baixo (testa-queixo/queixo-testa), o fez com um olhar assustado, franziu a testa em dúvida, enquanto seu olho deu uma piscada e então se fechou. "Você gosta disso?", "não sei, mas, você ai, falou isso de banheiro, ai eu imaginei e não achei tão repulsivo assim, e até fiquei mais excitado quando pensei nisso", "você tem certeza?", "tenho". Desfranziu a testa, perdeu o sentido de dúvida no olhar e, pouco a pouco, o olho dela foi se abrindo, revelando uma grande íris em tom amarronzado que me cobriu toda a face  e o peito em uma história nojenta. Depois trocamos o lençol amarelo-mussarela por um azul-capa-de-bíblia.


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