sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O imediatismo daquele professor.


Estou trabalhando na escrita de um trabalho a ser entregue como conclusão de uma disciplina que cursei entre agosto e novembro. Minhas engrenagens cerebrais, já cansadas após um ano cheio, tardam em pegar no tranco. Agora a pouco, por algum motivo (que não sei descrever), me recordei de um professor dos tempos de ensino médio, e não me privei em escrever estas linhas e as abaixo. 

Naquela época já respirávamos o começo do fim dos longos anos trancafiados na escola (como "alunos"), e após um primeiro e segundo anos de ensino médio, muitos já se dedicavam ao "depois": cursinho, apostilas, orientações profissionais, vestibulares...
Antes, no segundo ano de ensino médio, havíamos realizado uma disciplina obrigatória, chamada "projeto monográfico", em que cada aluno realizou uma "pesquisa científica" e apresentou, ao final do ano, uma monografia. 
O meu trabalho, no grupo de "estudos urbanos", foi sobre grafite, pixação e stickers, "arte urbana". Por ele recebi dois prêmios, o que causou certa indignação e/ou questionamentos em alguns setores do corpo docente e discente daquele colégio: como podia um aluno que batia cartão nas recuperações e cujo nome era figurinha carimbada nas aprovações pelo conselho de classe fazer um trabalho notável e, mais ainda, ser premiado por instituições para muito além dos muros da escola?
Me lembro do sorriso amarelo daquela professora do ginásio, que sempre escrevia minha nota em suas provas por extenso ('hum', 'dois', 'quatro', e não passava de quatro mesmo), me dizendo: "parabéns, quem diria hein?". Dava vontade de dizer: "toma essa papudona, a sua matemática não é a unica forma de inteligência que há no mundo, sabia?".

Me recordei hoje de um professor específico, motivo deste texto que ao entrar na sala de aula e ser instigado a comentar sobre as premiações recebidas por alguns alunos, dentre eles, eu, o fez com tom de preocupação. Disse que era legal que tivéssemos essa experiência, mas que tínhamos de nos focar "no futuro, no vestibular, na profissão que seguirão". Na fala dele, aquele "projeto monográfico" em nada ajudava os alunos a pensarem o futuro - que ele sempre ressaltava e limitava na figura do vestibular. 
Ao me ver na tarde de hoje rodeado por textos em xerox, anotações no caderno e de fronte a um computador com alguns documentos de word aberto, acho que cheguei a uma resposta a este professor. Alguém o chame pelo sobrenome (afinal, ele sempre nos tratou com esta impessoalidade) e diga que o Coiso ainda não parou pra pensar direito no vestibular que prestou, pois a minha cabeça nunca funcionou de acordo com o imediatismo daquele professor.

[foto da época]

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