terça-feira, 11 de novembro de 2014

Centenas de pontos vividos/passados cravados no peito - 2/2.


Em uma casa onde todos nós fomos dormir as sete da manhã, não dá pra dizer que eu acordei cedo. O fato inegável daquele sábado é que fui o primeiro a acordar. Ansioso, não me contive muito tempo no colchão, não havia mais sono, e notei que eu tinha um universo em um município por desbravar. Ou melhor, universos por me recordar: eu não tenho medo de arregaçar o corpo todo para a nostalgia entrar e despejar golpes.
É infernal caminhar por entre os caminhos das memórias, sobretudo quando elas possuem locais físicos na cidade tão bem demarcados na cabeça. Mas, dessa vez, não sei (talvez por estar num raro período de "paz"), parecia que seria (e foi) um inferno tão positivo e bacana, quase bonito.
Amarrei bem os cadarços dos tênis e sai, eu não consigo ficar parado quando essas coisas me batem em mente...

A porta de vidro espelhado, é o cenário onde fizemos pose para uma foto pós chuva em janeiro de 2011.
O ponto de ônibus em frente ao banco era o meu oásis após voltar da escola entre outubro e dezembro de 2013.
A pista de caminhada era o meu refúgio nos tenebrosos períodos de 2009 e 2010.
Os carrinhos de lanche onde tentamos construir alguma conciliação em março de 2010 já não existem mais.
Em agosto de 2011 eu resmunguei por meia hora sentado em um banco na pracinha onde havia um coreto. 
Entre fevereiro de 2009 e junho de 2011, em quase todo primeiro sábado posterior ao recebimento do dinheiro, a gente caminhava até o grande mercado da cidade. 
Este imóvel que esta para alugar já foi uma lan house, onde esqueci um celular nos meus primeiros dias por aqui, em março de 2008.
Em setembro de 2009 eu trabalhei num evento em que todas as noites jantávamos neste imóvel que está a venda, ele era uma pizzaria.
No inverno de 2011, rigoroso, cheio de neblina e manhãs geladas, a gente subia essa rua para realizar 'estágios'.
Aquele final de tarde, já em janeiro de 2014, em que o "open happy hour" foi abridor de vontades não contempladas após longas andadas pelos cantinhos semi-escuros da zona oeste.
Aquelas reuniões divertidas, empolgantes e tão cheias de aprendizado, lá embaixo na Avenida Presidente Roosevelt, no primeiro semestre de 2011.

Na ida realizei o caminho mais cumprido, para acessar tudo o que de lembrança eu poderia acessar nele. Na volta, fiz o caminho mais curto (na verdade, com menos ladeiras). Por essas ruas não passam apenas carros e pedestres, diria algum poeta perdido, passam vidas... 
No final, na volta, para finalizar isso tudo com o sabor da glória nostálgica de um peito cravejado de passados bem vividos, parei no supermercado que sempre adorei debochar, por ser tão diário, e comprei meia melancia.
Em um único ponto, pensei carregando a pesada fruta, me orgulho por não ter sido hipócrita: eu nunca reclamei de morar em Marília, como reclamo de morar em São Paulo. Por pior que fossem as fases, a cidade em si nunca me chateou, nunca me baqueou. Não vou dizer que é 'só por isso', mas é 'por esses e outros motivos' que quando caminho por aqui, cada quarteirão é uma saraivada de tiros de memórias em meu peito, desta vez, fazendo abrir largos sorrisos nesta cara tão besta.



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