segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Centenas de pontos vividos/passados cravados no peito - 1/2.


Depois de um tempo sem ver, a cabeça esquece que o restaurante tem as mesas retangulares e os bancos redondos, que as partes de madeira destes são brancas, e as de ferro são pretas.
Parece que, dado um intervalo de tempo sem ter os olhos por aqui, a cabeça esqueceu daquela tarde em que fizemos uma faixa escrito "1ª semana de ciências sociais"; bem como, se esqueceu também da outra tarde, em que dissemos: "vamos a prender na parede, quando cair jogamos fora", e, pelo visto, ela ainda não caiu.
Após um bom período sem caminhar por aqui, eu não lembrei que o bebedouro próximo à sala 10 só tem um lado que funciona. Antes, no cotidiano, eu lembrava sempre - e como foi engraçado lembrar que eu lembrava.
Dai vou andando, os olhos percorrem mais detalhes dos espaços, que remetem a mais detalhes vividos nos espaços, que fazem deles espaços físicos privilegiados nos espaços das lembranças. Está tudo guardado no HD da cabeça, e sempre que puder passar os olhos, realizar alguma caminhada por aqui, espero que estes estímulos tão suaves, tão doces (até dos piores momentos), nunca cessem, que nunca sejam esquecidos.
E, por fim, que estas salas e corredores saibam, o quanto sou grato, e que sinto saudades dos tempos em que aqui vivi, estudei, amei, almocei, defequei, odiei, trabalhei, (os poentes de sol mais bonitos que eu já vi), enfim: há centenas de pontos vividos/passados cravados em meu peito por aqui.




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