sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Breve explanação sobre a passagem do tempo para uma pessoa ansiosa.


Você esperou muito tempo por algo. Meses, talvez anos. Um algo que pode ser mais ou menos físico, mais ou menos tocável, mas, no exercício cotidiano das palavras que nos ensinam desde pequenos, pode ser chamado de algo (mas não de alga, a menos que envolva praias ou sushis). Minutos, horas, dias, semanas, meses, bimestres, semestres, anos. Eles passam, e então, após contagens mais ou menos expressivas, mais ou menos esperançosas de que este algo estará diante de seus olhos (a matéria registradora de nossas vidas, a meu ver) você, por fim, estará de fato diante dele. A contagem agora não é para se algo vai ocorrer, mas para quando algo irá ocorrer. Você sabe que existem dezenas de deveres por serem cumpridos entre o agora (fluído, líquido e mais ou menos voraz) e o algo, mas a cabeça não sai do algo. Este algo não é alguém, não é nome próprio. Pode ser coisa, pode ser situação, o fato é: você não consegue tirar da cabeça que algo está por vir, você anseia por algo, e de tanto anseio, está plantada a sementinha maligna da ansiedade, que irá suprimir todo um tempo a ser vivido (efetiva e trabalhosamente vivido) como um singelo intervalo, entre o agora e o algo




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