sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na porta do cemitério.


Passava próximo ao cemitério quando vi um homem parado na porta dele. Diminuí o ritmo da minha caminhada para observar aquela cena. Ele olha fixamente para o chão, na parte de dentro do cemitério. Deu um passo curto e então estava da calçada para dentro. Olhava fixamente para o chão atrás da grande porta de metal, semi fechada. Não sei o que ele via ali. Deixei de diminuir os passos e, estando do outro lado da avenida, parei para o observar. Ele se abaixou lentamente e esticou o braço, levantou segurando algo que eu não via o que era, pois encoberto pela porta. Deu outro curto passo e voltou a estar do lado de fora do cemitério. Segurava um maço de cigarros. O cheirou, o abriu, o cheirou novamente, tirou um cigarro, o cheirou e o colocou na boca. Do bolso da camisa velha e desabotoada tirou uma caixinha de fósforos, acendeu o cigarro. Voltou a caixinha para o bolso, juntando a ela o maço. Entre tragadas e assovios desceu a estreita avenida.


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