terça-feira, 7 de outubro de 2014

Lapso de sanidade.


Interrompi o meu trabalho de artesão das palavras e fui fazer coco. O celular, conectado na internet de casa, estava no bolso, e foi espontâneo pegá-lo em mãos e passar os olhos nas atualizações nas redes sociais, enquanto meu coco se livrava do meu corpo. Vi uma postagem, não me recordo se no Twitter ou no Instragão (ou em ambos), sobre ser a "semana Mukeka di Rato" no site da Läjä. Entrei no site, e fui olhando LP's, camisetas, moletons e CD's que eu sei que não comprarei, pelo menos não nos próximos 60 dias, de vacas magras para meus consumismos. Ainda sentado no vaso, comecei a pensar, mesmo depois que o coco já repousava na água da privada, que o "responsável" pela Läjä, o Mozine (e tantos outros rapazes que encontro, conheço, 'só olho', do hard core, do 'independente', do rolê das bandas etc) são, na verdade, 'tios'. Já faz tempo que passaram daqueles '20 e poucos anos' que o Fábio Jr. vendia como sendo o melhor período da vida e seguem tocando seus barcos, com suas bandas, as 'mesmas camisetas', afazeres diversos. Como que num lapso de irreconhecível sanidade, ao passar o papel higiênico de baixo para cima, pensei com uma calma raramente vista "por aqui" (vulgo: minha cabeça): parece que chega um ponto em que nada é mais tão espontâneo ou instantâneo assim, e que as coisas que fazemos, bom, vamos fazê-las para poder continuar as fazendo por mais tempo, e assim seguir a vida (não sei, o nome pra isso é "investir a sua vida em algo"?), até o momento em que a descarga da vida é dada sobre nós, como realizei com o coco que havia acabado de fazer e que a pausa para realizar este me permitiu esta singela reflexão. O lapso de sanidade está em não ter achado esse papo de 'viver para o futuro' algo tão ruim assim.

Usei um sabonete phebo vermelho para fazer o filtro de cor dessa foto.


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