domingo, 14 de setembro de 2014

Um exército de robôs da bosta.


Existe uma máquina de formação de robôs da bosta, é, na verdade, o "exército de robôs da bosta" - ou "robôs do exército da bosta". Após meses (diria que anos) de uma investigação meticulosa, apresento aqui os primeiros resultados deste árduo trabalho.

Estes robôs não são construídos com micro chips, latarias ou com tecnologia japonesa repleta de bancos de dados virtuais, mas sim com base em um modo de doutrinamento muito específico, embora indireto: a "educação em banho maria", aquela que não cria o robô a partir de máquinas, mas que o forma ao longo de encontros, conversinhas, jantares, viagens, esporros e conselhos, o que se inicia quando o mesmo se encontra nas 'fases primeiras de crescimentos' - físico, mental e moral - e perdura até a certeza de que ele é, agora, plenamente um robô do exército (quaisquer indícios de rebelião aos conteúdos do 'banho maria' [que ficarão claros adiante] devem ser reprimidos pelos superiores com cortes diversos e humilhações públicas).
O exército se reproduz a si mesmo a partir do encontro com outros que, se não passaram pelo mesmo treinamento milítico-robótico-bosta, passam a aceitá-lo ou tolerá-lo e, em alguns bons casos, a reproduzi-lo, se tornando também robôs do exército (mostrando que a "educação em banho maria" pode, sim, doutrinar aquele que já deixou há tempos as 'fases primeiras de crescimentos'). 
A base moral de toda a existência deste exército (e, logicamente, de cada robô) é crer que tudo é uma bosta. Exceto, claro, aquilo que diz respeito a si e/ou ao próprio exército. 
Por exemplo: toda e qualquer ação (ou produto de ação) que outros - alheios ao exército - fazem, é uma bosta. Toda situação (festas, pratos, falas cotidianas etc) que terceiros criam, é uma bosta. O que os robôs e o exército criam, é inquestionavelmente exemplar da beleza, do certo, da purificação.

Falei dos olhos de raio-cheese (ou "raios-x")? 
Os robôs do exército da bosta, para conseguirem detectar com a maior perfeição possível (eles são perfeitos) o máximo de bosta alheia que lhes for cabível, possuem olhos de raio-cheese. 
Por exemplo: se um terceiro (externo ao exército) surge vestindo uma camiseta (que pode até ser simpática e bacana) olham todos os detalhes do tecido, da estampa, das costuras. Encontrando um mínimo fio desfiado, fora de lugar, guardam a imagem do mesmo em sua "base de dados da bosta" - local separado em suas "mentes fictícias" para armazenarem o que acharam uma bosta (vulgo: tudo) - para, adiante, quando apenas entre membros do exército, dizerem algo como: "que absurdo aquela pessoa se dirigir a nós com a camiseta desfiada; não possui classe; não possui estilo; não possível noção do que é se vestir direito; não possui o mínimo respeito pela nossa alta pompa; só possui bosta e jamais será reconhecida por nós como algo além de bosta por que é bosta e só essa bosta é bosta meu deus que bosta".
Aliás, os robôs do exército da bosta possuem em seu vocabulário um limitado repertório verbal, que conta com curtas frases, articuláveis entre si, como: "isso é uma bosta", "fulano é um bosta", "aquele lugar é uma bosta", "aquilo que ele fez ficou uma bosta". Em geral, quando voltam de algum lugar ou após algum breve encontro, suas conversas giram em torno de: "sabe o que é uma bosta? essa bosta toda é uma bosta que só serve pra bosta e não tem bosta que bosta se compare a bosta sabe? Por que bosta mesmo é essa bosta que é só bosta o tempo bosta todo como bosta hoje aqui nessa bosta fez bosta e saiu toda bosta por ai bosta".
Se trata, realmente, de um seleto grupo de semi-humanos, perfeitos em suas existências, plenos em suas atitudes e cujas posturas deveriam servir de exemplo total para toda a humanidade - que é, ao ver do exército, uma bosta.

Ass: Captain Bosta Coiso.


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