quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Name Tade.


"Olha pra esses homens sérios, seus futuros perfeitos, eles vivem e não vivem. Olha esse povo todo com asas de cera se atirando dos prédios. Toda essa gente correndo atrás de nada. E olha pra você: qual é o seu lugar?".
No segundo ônibus do retorno pra casa (embarquei ainda em um terceiro), ao fim de um dia cheio (embora com considerável vazieza em si), levei um chute no cérebro por meio desta música; não sei por que escolhi este álbum para tocar em meus fones de ouvido.

Já deve fazer uns 8 ou 9 meses que voltei a morar em São Paulo ("uma oportunidade única, o stress compensará", hãm). Nove meses parceir@... E eu ainda me pego cometendo o erro metodológico de comparar um passado (não tão) recente assim, de aromas doces e belos, com o presente (entendido como o que é mais recente, no aparente pra frente ou no recordável pra trás) com cheiro de fumaça de coisa podre sendo queimada - aqui, sem metáforas: São Paulo tem esse cheiro mesmo.
Sentado na escadinha do fundo do ônibus lotado, observava as pernas e bundas que, paradas no mesmo trânsito que eu, levavam corpos do trabalho pra casa (nem asas de cera existem pra dar uma enganadinha). Levei 2 horas e meia pra chegar em casa, registre-se de passagem.
Tirei os fones das orelhas, alguns minutos no silêncio do ônibus lotado. Quando os retornei para seu lugar de função, e recoloquei a mesma música para tocar, a letra veio diferente: "olha esse homem sentado na escadinha, que presente perfeito, ele vive e não vive", como um milagre bíblico, o mp3 virou um disco riscado em uma vitrola velha, repetindo apenas: "não vive, não vive, não vive".

Numa matemática simples, rápida e auto piedosa, concluí esperançoso: "metade já passou".


Nenhum comentário: