quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Isso aqui é uma enganação!


Quase todas as noites eu dou uma choradinha.
Lembrando das piores e melhores histórias que os tempos de semi-professor me permitiram viver.
Lembrando das piores e melhores paixões desenfreadas que os tempos de boas me permitiram viver.
Lembrando das mais amargas situações que os empurrões negativos me fizeram viver.
Lembrando de todos os nuances da vida já-não-tão-recente-assim que não exitei em viver.
Lembrando de todas as coisas que não existiram pois me privei de viver.
Lembrando de todas as coisas que, aaaaaah, babaca... Sobre isso:
"Ontem eu estava estudando o cara que fala da rinha de galos e imaginei dois galos brigando na minha cabeça e um dizia que eu era babaca e outro dizia como tenho sido babaca", nota ao despertar no meio da madrugada.

Considerando que ao acordar eu serei mais um chato observando a poluição ou dando passos curtos no corredor da baldeação, insatisfeito com a vida pensando: "que merda boa tenho me permitido viver?". Sempre acabo esperando a hora da noitona chegar.

"Mariângela, isso aqui é uma enganação, Mariângela!".
Tudo bem, a noite eu deito a cabeça no travesseiro e dou mais uma choradinha. "É temporário", eles/as dizem. "É temporário, é temporário, é temporário", eu repito.
"Mas, sabe, posso resmungar mais uma vez?", juro, não vai ser a última, nem a antepenúltima, a gente sabe. "Rapidinho, só mais uma coisa".
Às vezes eu estou vivendo, fazendo as coisas que tem que fazer ou reclamando das que tenho que viver, pois, de fato, fui eu que escolhi (parecia que ia ser tão bom...), e me lembro de um verso com duas estrofes.
"Agarro meu sonho entre minhas mãos,
Mas por entre meus dedos eles se vão".
E é assim que eu me sinto todas as noites após dar a minha choradinha cotidiana. É como se isso tudo fosse o sonho que eu sonhei viver, e agora, que é a hora de os agarrar com as mãos, pois estou os vivendo, eles se vão por entre os dedos, escorrem de volta pro oceano dos sonhos a serem sonhados em nome de um cotidiano mais bacana.
Olho minhas mãos vazias, olho a poluição, a fila da baldeação, os textos antigos, as cretinices que eu disse, olho para tudo (até pro que não é passível de ser espiado) sinto vontade apenas de gritar: "isso aqui é uma enganação porraaaaaaaaa!".



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