quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Do sorvete podre.


Breve relato de José Gomes Neto - XXVI:


"Numa tarde quente qualquer, em que fomos fazer nada travestido de algo semi importante no centro da cidade, inventamos de variar de sorveteria. Não lembro quem sugeriu a variação, e isso tampouco importa. Quando entramos na sorveteria pedimos cada um uma bandeja com dois sabores diferentes. Pedimos, basicamente, os mesmos sabores que pedíamos na sorveteria de sempre. Não foram necessárias muitas passadas de pá entre as massas coloridas e gélidas e nossas línguas para que percebêssemos que não eram lá muito boas. Um dos sabores, inclusive, ficou por ali na bandeja, até se derreter por completo: era intragável, impalatável, de um gosto podre. Você saiu de lá com a cara da revolta, exalando braveza, e citou o episódio para diversas pessoas próximas, tratando de as alertar: "nunca vá naquela sorveteria". O sorvete era horrível, ruim mesmo, mas se serviu a algo saboroso, foi descobrir que até as suas expressões de desgosto e revolta faziam-te linda. Faz um tempo que lamento, ter sido eu, o sorvete ruim a te maltratar o paladar da vida.".

José Gomes Neto,
22 de Outubro de 2012,
Do sorvete podre.


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