sábado, 9 de agosto de 2014

Tem uma dezena de pás na minha cabeça.


Não sou tão pinta estranha assim, e nem tenho esse ar de roqueirinho de ontem ou de hoje, estou, é verdade, com uma touca de trancinha e vim sozinho pro rolê, pra ficar apoiado no balcão do bar sozinho tomando a unica cerveja que tomarei na noite (por que não tenho dinheiro) e vendo as bandas calado só batendo o pé no chão mesmo sem comentar nada com ninguém por que eu vim sozinho e sem dinheiro pra fazer só isso mesmo.
Caralho, que espancamento foi esse? Achei interessante quando começou a espancar e parecia que eram pás vindo de todo lugar e a situação se tornou espácamento direto por dezenas de lados e por dezenas de espápápápá - acho que eram as guitarras entrando pelos ouvidos e passeando livremente pelo cérebro. Dentro dele, sem medo, as rochas mais duras da minha cabeça não temiam as pauladas das pás, visto que são rochas duríssimas, mas ficou a completa sensação de um derramamento de sangue por entre as pás perambulando na minha cabeça.
Na hora que começou o trombone, as outras guitarras, dezenas de efeitos e uma voz doce, foi como se as pás tivessem sido erguidas novamente pelos bravos operários (que descansavam após um grandioso almoço) e que se lembraram: "caramba, a gente tem que voltar a espancar o cérebro desse rapaz". Foi, que foi, que foi, que foi, que eu só consegui ficar sozinho, malemá batia o pé no chão seguindo o ritmo do bumbo, como era minha proposta.
Quando cheguei ao ponto de ônibus, voltei a ser só um barbudo com touca bege, mas a experiência sonora recente havia criado algum tipo de úlcera musical a percorrer perfurar e corroer o meu cérebro. 
E isso foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido naquela noite de sexta feira, oito de agosto, na Casa do Mancha, em São Paulo, com os shows do E a terra nunca me pareceu tão distante e o Lisabi.

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