sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Larga a coca mano!


Lá pelo meio de 2010, entre inimigos e fugas, quando meu cérebro se tornou algum tipo de esponja de pensamentos ruins, e uma legítima bomba propulsora de negatividades diversar e adversas, tomei a decisão (talvez óbvia) de começar a mudar alguns hábitos. Cortei algumas pessoas da lista de convivências, cortei alguns filetes daquele corpo jovial, procurei alguma ajuda socialmente aceita em termos de farmacos, e parei de beber. Aliás, chegou um momento naquela época em que pensei: "caramba, isso não está saudável". Isso eram os hábitos nada degustantes ou recreativos para com bavarias, chapinhas e cinquenta e uns; decidi parar, por um tempo, que acabou se tornando um pouco mais de um ano. Foi um período bom, além de me sentir melhor com meu corpo, economizei uma boa quantia em dinheiro, o que não vem ao caso, "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa", vocês lembram. Nessa época, quando sentia vontade de beber, caminhava até o mercado mais próximo (geralmente, aquele glorioso mercado de bairro em cidade do interior) e comprava dois litros de coca-cola, que não duravam mais do que dois dias. Lembro-me de uma época em que o chão da cozinha possuía diversas garrafas vazias deste refrescorante, alinhadas rentes ao balcão (por que eu tinha preguiça ou esquecia de jogá-las fora). Faz mais de uma semana já que decidi puxar o freio de mão da bebida de novo, por razões cerebrais e corporais semelhantes (mas jamais iguais, é aquele papo do Heráclito sobre o homem e o rio), e já me vejo, em princípio de noite, recorrendo ao mercado mais próximo (agora uma franquia de uma grande rede na metrópole, sem o charme do mercado de bairro interiorano) para trazer para casa dois litros de coca-cola. 
Alguns vícios são mais aceitáveis, outros mais questionáveis, alguns saudáveis ("sou viciado em atividades físicas") e outros são meros estanques, substitutos ruins que ganham espaço no time por que os jogadores principais estão contundidos ou fazendo corpo mole. "Larga a coca mano, essa merda serve pra desentupir privada!", falou uma daquelas vozes desviantes que habitam a consciência, quando eu caminhava de volta pra casa, preocupando-me se a sacola plástica cederia ou não ao peso da garrafa (que agora é de dois litros e meio).


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