quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Duro como pedra.


As coisas sempre acabam virando piada, sobretudo quando você é assim, beirando a tosqueiragem da falta total de qualquer seriedade ou aparente desejo de seriedade mínima, como me penso. Às vezes ocorrem lapsos de tentar ser verdadeiro de um modo mais próximo ao conceito correto de ser sério, nas definições corriqueiras para a nossa educação ocidental burguesa metida ora à britânica, ora à francesa, ora à paulistana (no meu caso), ora à brasileirinha, ora ao Vai Corintia. Ops, escorreguei, e não fui sério novamente. Às vezes eu fico feliz com meu jeito de agir, às vezes não. Às vezes olho o que fiz e penso: "fui correto comigo e sério com os demais, foda-se a opinião ocidental, me acho certo comigo mesmo e estou legal aqui pra dormir". Às vezes penso no que fiz e olho: "merda merda, foda-me, mate-me, estou podre, estou quebrado, fui duro como pedra e, como pedra atirada, quebrei janelas, remendem, me tragam remendos, eu remendo este vidro", mas não tem jeito, tolo. Às vezes penso em tantas coisas (como diz uma canção do meu pai "as coisas já fazem dez anos") e já faz uma década que patino entre pataquadas mil. Às vezes eu sou duro como pedra, às vezes sou poroso como esponja. Às vezes (e isso é tão comum que dói) eu penso que destruí coisas e pessoas e janelas e situações tão bacanas e semi-perfeitas que não eram dignas desse tipo de ação. Se eu fosse cristão acreditaria em perdão, mas não; só quero parar de oscilar entre a pedra e a esponja.



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