terça-feira, 5 de agosto de 2014

Concentrando os pés nos pedais.


Ouvi um ruído, que de longe reconheci. De longe temporalmente em minha memória, e não espacialmente; espacialmente ele foi ouvido exatamente bem ao meu lado. Era o som de uma correia metálica, rolando entre coroas redondas de metal e fazendo duas rodas e um quadro de alumínio se moverem por cima de um jardim de pequenas pedras, as quais também soavam um ruído característico ao serem irrompidas pelos pneus. Se tratava de uma bicicleta.
"Alguém quer dar uma volta de bike?", falou a voz que eu conheci naquela noite mesmo, de simpatia ímpar. 
O convite soou messiânico, na hora o topei.
Aceitei o selim, o guidão, as marchas e os pedais, coloquei o meu corpo em interação plena com eles. E que delícia.
Há quanto tempo não pedalava sem rumo? Apenas pensando: "onde será que vai dar essa rua? O que será que há além daquelas árvores?".
Madrugada, ventos frios, blusão fechado até o pescoço, toquinha de lã atolada na cabeça até os olhos, e um eu repleto de energia. 
E-N-E-R-G-I-A. 
Pedalei por metros, talvez quilômetros, e não saberia precisar quanto tempo durou o exercício. Não conheço as ruas e avenidas por onde passei, o meu referencial era um posto de gasolina, uma farmácia, uma praça; ia e voltava, ia e voltava, e se me perdesse, haveria pernas e pés para me concentrar nos pedais e buscar outra rota.
Não conheço aquelas vias, não sei por onde passei ou quando voltarei. Mas, ah, como foi bom, como fez bem, pedalar contra o vento frio de uma madrugada enérgica em Campinas.


Nenhum comentário: