terça-feira, 8 de julho de 2014

Uou Disney sua conta não fechará!



Numa certa tarde tive uma conversa sensacional com uma pessoa admirável, mais velha e mais experiente com o passo-a-passo dos anos do que eu e, devo ressaltar, se trata de alguém que olho com certo prestígio. 
Dentre as dezenas de assuntos que perpassaram a conversa, que durou pra lá de uma hora, um dos pontos bateu como flechada no olhar daquele que vem sendo um dos meus questionamentos principais nesses dias recentes: que porra é vida pra mim? Que que eu quero da vida? Por que não posso 'perder tempo'? E a que devo 'dedicar vida'?
Ter um trabalho cotidiano que cansa para poder ter dinheiro para fazer coisas esporádicas que descansam? Essa conta não fecha!
Um pouco mais tarde, outro papo interessante, igualmente instigante e, em grande medida, influenciado pelo primeiro. Tocamos em outro ponto, também relevante quando penso essa vida que levo/levamos: o conforto. Precisamos de qual conforto? O que é conforto na vida de cada um? Quais dedicações devo ter para poder pagar o conforto que quero para mim?
Ter um trabalho cotidiano e desconfortável para poder ter dinheiro para coisas e situações esporádicas que trazem algum conforto? Essa conta está errada!

A noite caiu, eu já havia tomado meu chá noturno pré-sonum, mas ainda havia tempo e espaço para mais algum diálogo, caindo como uma luva e quase que "costurando" todo um dia repleto de conversas. 
Falando sobre chineladas dadas na própria cara, perspectivas vitais e sentimentos de realização (praticamente um sopão sobre a vida) houve uma citação de um dos clássicos (ou semi clássicos) do Uou Disney. Confesso, não gosto muito dos filmes desses caras não, quando criança eu chorava com alguns deles, e hoje em dia os critico: em geral está tudo certo ai acontece alguma coisa extremamente negativa que quebra com toda a normalidade e felicidade da vida da personagem principal, que durante toda a película é exposta de modo a criar identidade entre criança, que assiste o filme, e ela, personagem. 
A mensagem, é clara: "sua vida será daora, até que você vai apanhar, talvez mais, talvez menos, mas depois vai ser legal de novo, talvez não da mesma forma, talvez não com a mesma intensidade,mas relaxe o biscoito e se contente com as migalhas, a vida é assim".
Me parece, muitas vezes, que são filmes criados pra amaciar a carne, pra fazer as crianças (que amanhã serão jovens, e em diante adultos) que não tem drama você ter um trabalho cotidiano que te cansa, um patrão que te arregaça e um salário de desgraça se você puder ter um mês de férias (com uma viagem de sete dias neste período) todo ano. 
Ou então, olhando de outro forma, são modos de dizer que faz sentido uma vida em que metade do tempo é desconforto e cansaço, outro um quarto desse tempo é sono-dormido pra recuperar energias corporais gastas com o trabalho (oi Marx) e o restante pode ser conforto, lazer, diversão (ou algo próximo disso).
Essa conta, realmente, não faz sentido. E, nas minhas buscas cotidianas, jamais fechará!
Uou Disney, seu vacilão, não passará!




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