quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pela Cidade - 3/3.



Quando você dá o repique no barbante do pião, meio pra trás, meio prum lado, meio pra frente, e o solta estralando no asfalto em movimentos circulares velozes, ali é tudo muito louco. Tem as luzes da cidade, tem o barulho dos carros, o zum zum zum dos demais humanos, cachorro gente boa que te pede um afago e, se bobear, até cola um poeta junto pra lançar umas verdades fantasiosas. Não tem mistério, e a mão experiente enrola o barbante no pião, e repete o movimento quantas vezes se quiser, adicionando rotações e elementos mais ao pião, ao barbante, ao asfalto duro. Variações de ruas, mãos e barbantes são bem vindas e até essenciais para que o ato se dê como repetição e perdure mais algumas meias horas. Até que, seja lá por que, o pião tem que voltar pra prateleira, tem de ser repousado, enfim, tem de voltar à situação anterior ao atrito ágil com qualquer asfalto ou barbante ou não. É nesse instante, que todo inferno volta a rodear o peão.




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