sexta-feira, 18 de julho de 2014

Isso não existe.


Em um repertório inimaginável de palavras absurdas, como que enchendo uma piscina em tempos de seca, pinço escolhas infelizes para tecer situações absurdas que não me dizem o menor respeito. Falto com respeito, inclusive. Nado em braçadas arrojadas, com ares de convicção de que há plenitude e verdade no que digo. O nariz chega até a tocar o monitor a minha frente. Respiro contando até 10, às vezes fraquejo, a contagem vai até 3, até 6 ou até 5, e quando percebo já pincei outro absurdo, construí outra situação e, aparentemente cheio de certeza, dei outra braçada na piscina dos absurdos ditos. Isso não existe, e eu só quero parar. Na impossibilidade de desfazer o que foi situação dita mal quistamente, na impossibilidade de atingir o retorno do tempo ou das braçadas ou dos desrespeitos (eu já entrei no espaço de seca das suas considerações, e tens razão), desejo apenas me apoiar na borda piscina, e sair desta água suja sem tremer muito com o vento frio, soprado em seus ouvidos através de um repertório inimaginável de palavras absurdas.
Isso não existe.


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