terça-feira, 22 de julho de 2014

Distração reversa.


Sou distraído, não tenho foco e minha capacidade de concentração oscila mais do que teco-teco voando na região do triângulo das bermudas. Isso deve fazer uns vinte e cinco anos, e ultimamente tenho vivenciado um fenômeno fantástico: a distração reversa.
Não se trata de ter vencido a capacidade de distração e me tornado umser  concentrado, pelo contrário, se tornou, sim, a capacidade de não conseguir me distrair tanto assim como costuma ser. E, não, isso não representa nenhum tipo de avanço ou melhora.
Saio, subo em ônibus, converso com motorista, passo pro metrô, conto as estações daqui até ali, conto o número de vidros quadrados e o número de vidros retangulares, tento decorar o texto dos anúncios publicitários. Dou umas voltas, vou em shows, converso com pessoas conhecidas, conheço pessoas com quem converso, papeio com os amigos imaginários de tantos anos. Enfim dou uns piões por ai.
E nada de distração. 
Minha capacidade de me distrair, de abstrair, de fugir e viajar em círculos coloridos feitos em teares de pregos enferrujados e pendurados em janelas ensolaradas da minha mente enquanto a vida corre ao meu redor e os problemas fogem como a palha da casa dos porquinhos ao ser soprada pelo lobo ruim, parece que se foi. Sumiu. Já era.
Desligar não é mais tão fácil ou rápido ou comum ou acidental ou incidental assim. E ai, por fim, eu sinto como se sempre estivesse e nunca estivesse, ao mesmo tempo, concentrado e focado, distraído e subtraído, somado e sumido. 



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