terça-feira, 1 de julho de 2014

A ver balões.


Breve relato de José Gomes Neto - XXII:


"Era criança e gostava muito das festinhas de aniversário: gincanas, brincadeiras, às vezes buffets, bexigões, brigadeiros. Certa vez, na festa de um colega de escola, comecei a brincar com um menino que, depois me informaram, era primo de segundo grau deste colega. Era boa gente e divertido. Quando chegou na hora das gincanas, um casal de animadores pediu que todas as crianças formassem duplas, e eu me enduplei com este menino. Uma das brincadeiras da gincana (que renderia um prêmio a dupla vencedora) era o de enchermos uma bexiga juntos: um assoprava um pouco, segurava a ponta e passava pro outro. A dupla que conseguisse primeiro estourar o balão o soprando desta forma alternada, ganharia esta brincadeira. Estávamos ambos aparentemente empolgados, eu e o menino. Soprávamos com força e podíamos ganhar, nosso balão estava já tão cheio! Dei uma soprada com toda minha força e passei o balão para ele, mas ele não o segurou com vontade, e o deixou, intencionalmente, murchar. Lembro que olhei desanimado para ele, que apenas me falou "cansei dessa brincadeira, mas pode ficar com o balão". Virou as costas, fiquei olhando aquele balão murcho na minha mão e pensando: "que faço com esse balão frouxo que não enchi sozinho?". Ele foi brincar com outras crianças, sorridente e límpido, eu fui roubar um brigadeiro".

José Gomes Neto,
03 de Novembro de 2005,
A ver Balões.


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