sábado, 5 de julho de 2014

A hora de parar com a tinta.


Quando era jovem, lá por volta dos meus doze ou treze anos, comecei a ter algum interesse pelas práticas artísticas. Primeiro  as musicais, então coisas escritas, depois a fotografia, e, lá pelos dezesseis, comecei a pintar. 
Tive sempre, e isso tem de ser ressaltado, a influência e o incentivo de vários professores e professoras: primeiramente meu pai e minha mãe, em casa; Luana e Jorge, com as aulas de redação; Jair, Rita e Terezinha, com as aulas de artes.
Numa aula de artes com o professor Jair, já nos idos dos meus dezesseis anos, em 2005, eu pintava uma grande folha de papel paraná (um papel mais duro) criando várias "massas de cor" com listrinhas coloridas. Misturava cores para criar, de fato, várias "massas" e cores e blocos coloridos.
Certo momento, Jair passou por mim e falou algo como: "Gabriel, já deu hein? Você misturou tanta tinta que chegou nesse cinza tenebroso ai".
Parei, olhei. Descansei o pincel. E concordei. 
A verdade é que eu não queria parar de pintar, não queria parar de experimentar as cores sobre aquela superfície branca, muito embora estivesse vendo e tendo plena noção de que já havia passado da hora de parar. Muitos dos quadros que pintei nessa época foram estragados pelo terrível hábito de, simplesmente, não querer parar de pintar.
E esta é apenas mais uma situação recuperada pela minha memória em que paro e penso: "será que não aprenderei nunca que chega a hora de parar com a tinta?"



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