terça-feira, 24 de junho de 2014

Notável cena.


Um espectador, sentado em um banco de madeira, entre as duas portas de uma unidade básica de saúde, assistia a realização de um exercício aparentemente de fisioterapia, realizado por três sujeitas: a primeira, central, uma criança, uma pequena garota, de fala não desenvolvida e passos dificultosos; a segunda, mediadora, vestia um avental branco com insígnias referentes à secretaria municipal da saúde; e, a terceira, assistindo apreensiva, aparentemente era a mãe da garota. O exercício consistia em a garota, primeiro com o auxílio das mãos da moça que vestia o avental branco, descer e subir uma rampa. Em seguida, com o auxílio do corrimão lateral, repetir o movimento. E, por fim, realizar, sem apoios manuais, o exercício de descer e depois subir a rampa. Ao finalizar cada etapa, palmas eram batidas pela, aparentemente, fisioterapeuta, pela, aparentemente, mãe, e pela, sorridente, garota. Após realizar a terceira etapa duas vezes, sem apresentar dificuldades, muitas palmas foram batidas, e a moça que vestia avental branco falou: "vamos lá para a sala agora?", a garotinha sorriu e mexeu a cabeça rapidamente para cima e para baixo, "consegue ir andando sozinha?", perguntou a moça com o avental, e recebeu a mesma resposta, sorridente e movimentadora de cabeça, por parte da garota. Surpreendendo as outras duas sujeitas da atividade, disparou em passos rápidos e largos na direção de uma das portas da unidade básica de saúde. Foi então que adicionou, como sujeito ativo à situação, com uma súbita escalada de banco, o rapaz barbado, que sentado neste assistia com lágrimas nos olhos toda a cena descrita acima. E que, por fim, foi abraçado fortemente pela garotinha que ria ao olhar para a sua barba, fazendo com que as lágrimas deixassem de estar apenas nos olhos.

[Ubatuba - Janeiro de 2011].

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