quarta-feira, 21 de maio de 2014

Não posso fazer nada.


Breve relato de José Gomes Neto - XIX.

"Dias de festa, os adoro. Dias de boas notícias, noites de intensa alegria. Nada nesta vida faz mais sentido que os bons encontros, os bons motivos para festividades. Sorrisos, nada os supera. E era dia de festa. Em uma casa mesmo, sem muitas frescuras ou delongas: amigas e amigos, juntos e juntas, celebrativas e celebrativos. Decidimos estourar pipocas, o dono da casa nos orientou a pegar o milho, que estava em um vidro no segundo andar do armário da cozinha. Fiquei na ponta dos pés, vi o vidro, o peguei com a mão esquerda. Ele escorregou, no chão se espatifou. Milhos e cacos de vidro se mesclam nos vincos do azulejo amarelo escuro. 'Dá pra salvar', ela disse. Mas não deu, o vidro se estilhaçou em miúdos pedaços, que se aderiram ao milho. Tateando-os um dedo meu chegou até a ser cortado. Pensei, 'deixa, não posso fazer nada'. Deixamos. Não houve pipoca, o que não findou alegria, só a deixou com menos poc-poc".

José Gomes Neto,
18 de Agosto de 2011,
Não pôde fazer nada.


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