sexta-feira, 7 de março de 2014

Na ponta do lápis.


Passei o feriado do carnaval em Marília, e, retornando ao rolê no Cão Pererê após um mês sumido, muita gente me perguntou coisas como "como está lá São Paulo? Fazendo muito rolê?". Dizia que estão legais, mas que nem estou saindo tanto, que quando saio é caro etc. Resolvi, então, colocar na ponta do lápis um pouco da diferença de gastos entre fazer um rolê por Marília e um por São Paulo - um pouco pra entender que eu não poderei mesmo sair tanto por aqui, e outro tanto para explicar aos amigos o quão mais caro as coisas são em São Paulo quando comparamos com uma bela cidade do interior.

Tomarei o dia 23 de fevereiro como exemplo, quando fui ao Cerveja Azul, casa de shows de rock na Móoca, prestigiar um rolê com shows do Blackjaw, Dance of Days e mais três bandas (R$20,00 o ingresso, preço médio deste tipo de rolê pelas casas paulistanas). Como estava na casa da minha mãe, na região da avenida Cursino, precisei ir de ônibus (R$3,00) até a estação de metrô mais próximo e lá embarcar (mais R$1,65 de meu bilhete único) em um vagão sobre trilhos rumo ao início da zona leste. Cheguei cedo e a casa estava ainda fechada, caminhei até o mercado mais próximo para comprar uma cerveja (R$2,50) e acabei levando um chocolate (R$1,50) para tapear a fome que sabia bateria na volta para casa. Dentro do Cerveja Azul havia duas opções de cerveja barata para beber: itaipava (que não gosto) a R$6,00 e a dupla que parece ser repelente entre si, Brahma/Skol, a R$8,00 cada. Acabei por tomar Itaipava, apostando no critério quantidade frente à opção de tomar duas Brahmas, que seria a qualidade, ou seja: gastei mais R$18,00. Terminado o show do Dance of Days descolei uma carona até o metrô (R$00,00), passei pela catraca da estação (R$3,00) e depois peguei um ônibus (mais R$1,65) de volta à casa materna.
Somando todos os cifrãozinhos, dá um gasto total de R$51,30. 

Suponhamos que eu fizesse o mesmo rolê em Marília. Raros foram os dias que me propus a sair de casa para ir em shows (como o citado acima) e precisei pagar pelo transporte público, sempre fui e voltei a pé. Creio que o ingresso mais caro que já paguei para show ou rolê deste gênero (repito: o que eu gosto de fazer) foi R$12,00, que é o preço médio para se entrar no glorioso Cão Pererê num dia de show foda (banda gringa ou banda nacional com algum renome). A cerveja, tomemos o Cão como base para tal comparativo também, no ano de 2013 esteve sempre: R$3,50 bavaria, R$4,00 itaipava, R$6,00 Brahma/Skol ou R$4,50 heineken. Sempre tomei Bavaria lá - não acho ruim, até gosto, e como os dados indicam, é a mais barata - e sempre tomei mais do que três garrafas por noite (quantidade consumida no rolê do dia 23 de fevereiro, em São Paulo), mas, para efeitos comparativos, indiquemos que eu bebesse três numa noite, sairiam por R$10,50. Caso eu comprasse uma lata de cerveja e um chocolate no mercado mais próximo do Cão Pererê antes do rolê, sairiam pelos mesmos R$4,00. 
Assim, fechando a conta, em Marília eu gastaria R$26,50. 
Estou tratando de uma situação hipotética, visto que durante um bom tempo realizei o pagamento de meus ingressos no Cão em Marília com a própria mão de obra (tirando fotos, trabalhando no bar, na portaria etc). Se eu fosse puxar pela realidade do último ano, eu não gastava, em reais, nem vinte conto por noite.

Colocando na ponta do lápis, vejo como por aqui serei obrigado a abandonar a night e os rolês do jeito que me acostumei a gostar de vivê-los. Shows gratuitos, estarei lá! Carteirinha de estudante, fique pronta logo! Catraca livre, vá para a seção de favoritos!
E assim vou me adaptando a esta nova fase da vida.


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