domingo, 2 de fevereiro de 2014

Prenúncios e Posfácios - Sete.


Terça feira eu acordei meio enjoado, e resolvi ir comprar frutas e legumes, coisas assim, pra dar um ânimo ao corpo. Precisava fechar as caixas para a mudança, limpar a casa para entregá-la em ordem, mas fui mesmo assim, a pé, e sem pressa.
Fui andando até o mercado próximo do antigo Cão Pererê e do apartamento e da casa onde morei entre 2009 e 2012. Naquela manhã enjoada, refiz alguns trajetos que me foram tão rotineiros nestes seis anos. 
Foi no momento que voltava para casa, brigando com as sacolas cheias de frutas e legumes, que me bateu um vento de tristeza no rosto, e eu pensei: "pois é, acabou: vou embora".
A tristeza apertou um pouco o enjoo, que se dissipou. Baseado naquela certeza que carrego com a vida, de que, se é difícil ir embora, é por que está bom, é por que foi bom, que comecei a me despedir daqueles espaços enquanto marcas de rotinas.
Passando em frente ao cemitério, depois vendo de longe a Unesp, faculdade que me permitiu viver e conhecer tudo e tod@s que vivi e conheci por aqui, refinei a certeza que de que passaria todos os próximos dias da semana em ritmo de "beijinho, beijinho, tchau, tchau".

Nestes últimos seis anos, nem todos os prenuncios se confirmaram. Ousaria dizer até, que, exceto estar vivo agora, nenhum outro prenuncio se confirmou com a exatidão que se planejava.

Estava chegando, então, o momento dos posfácios: isso tudo virou história, virou termo passado para falar de presentes muito bem saboreados: "na época em que eu morei em Marília...", "quando eu fazia faculdade...", "antigos amigos, dos tempos que eu estudei na Unesp...".


Deste modo, é valendo-me daquela memória seletiva, tão útil pra encararmos o passado sem dar tanta voz assim ao que foi ruim, que vos digo: tchau Marília, amigos de Marília, vivências de Marília. Foi tudo muito bom, tudo muito foda, dos prenúncios de começar alguma coisa na vida por , aos posfácios das coisas vividas que carregarei sempre no peito, onde quer que eu esteja. Valeu mesmo. A gente se vê.

Gabriel Coiso, 
02 de Fevereiro de 2014.


[algum amanhecer no fim de Outubro de 2013: pegava o primeiro ônibus do dia pra ir trabalhar, já sabia que ia embora  de Marília em 2014 e, mais ou menos nessa época, decidi que enrolaria o máximo possível pra dizer este acima dito "tchau"].

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