sábado, 22 de fevereiro de 2014

O caso dos "ovinhos de codorna".


Era um destes longos almoços familiares, em que bastante gente (mais de vinte) se reúne ao redor de bastante comida para celebrar algo ou alguém. Realmente, não me recordo o que celebrávamos. Lembro-me do cenário, que era o espaçoso quintal da casa de uma das primas da minha mãe.
Como me acostumei a fazer nestas ocasiões, após uma certa idade (se a memória não falha, os meus quatorze anos) sentei-me estrategicamente em uma cadeira ao lado daquela em que meu avô havia sentado, e por lá permaneceria com ele, desde os amendoins e aperitivos, até o cafezinho pós-sobremesa, puramente, proseando, como ele dizia.
Os queijos cortados em cubinhos e as caipirinhas, símbolos máximos dos aperitivos destas ocasiões, já se acabavam quando começaram a trazer para as mesas travessas e mais travessas com diversos tipos de componentes de salada. Uma destas travessas foi colocada na mesa bem em frente aonde eu e ele estávamos sentados.
Algumas folhagens, alguns legumes, e uma vasta quantidade de "ovinhos de codorna" enchiam, até além da boca, o largo refratário de vidro redondo colocado à nossa frente. Enquanto papeávamos, ele tomava a cervejinha dele (e eu, certamente, um refrigerante), começamos a 'beliscar' um "ovinho" e outro, e outro, e outro, e outro...
Dado momento minha vó fixou o olhar em nós dois e se aproximou calmamente, baixou a cabeça e falou baixinho, suficiente para que nós dois (e mais ninguém) ouvíssemos: "oh vocês dois, dá pra parar de comer as mussarelas de búfala?". 
Minha vó reergueu a cabeça e foi fazer alguma outra coisa.
Foi então que meu avô, desrespeitando a ordem dada, pegou mais um "ovinho de codorna", olhou para mim e disse: "então é por isso que esses ovinhos de codorna estão sem gema dentro? estava achando estranho mesmo".
E comeu mais um, "ovinho de codorna".


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