sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E nunca mais soltarei pum?


-Não parece que você vai fazer 25 anos.
-Por que?
-Fica com essa mania de falar dessas coisas.
-Que coisas?
-De pum.

Trecho de um breve diálogo tido com minha genitora na tarde de hoje.

É verdade, daqui dez dias completo um quarto de século. Já tinha tomado ciência disso, mas não estava tendo lá muito tempo para pensar sobre isso. Hoje comecei a pensar, e não sei se devo seguir mais um tempo pensando nisso não. Dar moral pra número? Não sou matemático.
Nunca fui muito adepto dessas 'lógicas de maturidade', ou de 'equivalências obvias associadas aos anos de vida'. Nunca parei e pensei: "caramba, já tenho 23 anos, preciso arrumar um emprego de verdade, pra ser um adulto de verdade", ou "bom, agora que fiz 20, vou parar de falar gíria, por que isso é coisa de adolescente, e agora já tô na casa dos vinte", ou mesmo, pra contemporanizar a prosa, "os 25 batem à porta, é hora de evoluir"
(Tenho certeza que pra quem acredita nesses 'discursos de maturidade ligados à idade', meu papo aqui soa como "coisa de imaturo, aff").

Penso que todas associações realizadas como "lógicas que todos devem seguir", de uma coisa com outra, são generalizações baratas, no caso deste assunto aqui, utilizado pra impor comportamentos específicos por conta da sua idade. 
Ah, tantos são os exemplos que já ouvi disso nos tempos recentes: "você tem 24 anos e ainda insiste nisso de ter bandinha?", "você já tá chegando numa idade que é bom começar a olhar pra vida com mais seriedade", "começa a falar que nem gente, olha a sua idade", "você já tá com 24 anos, acabou a faculdade, tá na hora de ir trabalhar direito".
Generalizações baratas, de quem acredita que padrões e normas devem ser agarradas, assumidas e postas em prática sem o mínimo raciocínio ou crítica. Isso sim, para mim, é um pensamento imaturo, por acrítico: maturidade é crítica, é reflexão. Para mim, pode não ser pra você, e pra mim tá de boa.
Seguirei soltando pum, seguirei tirando foto de coco, seguirei tentando ter banda, seguirei fazendo o que eu gosto e seguirei tocando a minha vida com a minha seriedade fazendo as minhas coisas com a minha maturidade. 
É simples. E se a sua 'maturidade' não permite entender que eu tenho outros planos e outros rumos pra minha vida, que não lógicas pré-estabelecidas entregues de bandeja no dia-a-dia, legal, tudo bem. Mas, como diz aquele adesivo de caixa traseira em moto de motoboy: "adianta o seu, mas não atrasa o meu".

A conclusão que tirei da tentativa de bronca da minha mãe? Que algumas pessoas, quando completam 25 anos, ficam que nem aquele pintinho da piada, que não tinha cu, e que quando foi soltar pum, explodiu. 

Ps: "Não eu não me recuso a envelhecer, mas também não sou obrigado a envelhecer desse jeito" - Chuva Negra - "Classe de 97".



[Na foto, um pintinho maduro, que além de não peidar, usa até chapéu!].



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