terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Prenúncios e Posfácios - Dois.


"E você vai morar onde lá?", era o que todo mundo me perguntava quando eu falava que havia passado no vestibular da Unesp e me mudaria para Marília. A pergunta vinha de distintas formas: "tem moradia da faculdade lá ou vai ter que pagar aluguel?"; "já viu alguma república pra você ficar lá?", e previam que, simplesmente, eu moraria em um lugar. 
Meu intuito inicial era o de fazer as coisas com cautela, como os mais experientes na universidade e na cidade me orientavam: chegar sem muita coisa, ficar um tempo nalguma casa e depois me ajeitar, me enfiar nalguma república já montada, me meter a montar alguma ou até morar sozinho. Este plano não se concretizou: se fosse vir, teria que vir com alguma certeza de teto para ficar por um longo período de tempo, era esse o desejo de quem bancaria a brincadeira da mudança, e assim teria que ser.

Enfim, logo na primeira vinda para Marília, encontrei um lugar para ficar, uma casa em que moravam pessoas que estavam prestes a se formar e recém formados, haveria um quarto só para mim, a casa ficava bem no centro da cidade e o aluguel era extremamente barato. Bacana, mas não durou, fiquei quatro ou cinco dias na casa. E o que deveria ser definitivo virou temporário. 
Sai corrido de lá, assustado com o ritmo da república (e imagino que devo ter virado piada entre a galera lá) para ficar temporariamente dividindo um quarto, no bairro estudantil, num apartamento com dois rapazes, o Du e o Mateus. Nesse apartamento, onde eu iria ficar apenas uma ou duas semanas, morei todo o primeiro ano, quebrando totalmente com a ideia de que daria para prever 'temporariedades e permanências' nos lugares em que eu morasse adiante. O que foi se confirmando ano a ano, casa a casa.
Deste primeiro apartamento (e segunda casa), migrei para um apartamento entre o centro e a universidade, e três bons anos foram lá vividos (dois e meio deles fazendo do apartamento um lar, e fazendo do careca que eu não conhecia, o meu irmão Pedrinho). 
Então, mais uma casa, naquele que deveria ter sido o último ano por aqui, desta vez com mais ar de república que as moradas anteriores (louça suja, desentendimentos etc). Deveria ter sido o último ano, mas, como não dá pra prever os temporários e as permanências, surgiu de brinde no meu horizonte assinar mais um contrato de aluguel, mais uma casa pra morar, mais um ano por aqui. Dessa vez, sozinho, e, dessa vez, de fato, a última casa em Marília - pelo menos nesta fase da vida, vai que volto pra cá um dia?
Afinal, aprendi que, quando se é inquilino em imóveis (e meio porra louca com a vida), não dá pra calcular exatamente o quão temporários ou o quão duradouros serão os tetos que lhe servirão como casa.

Ps.:
Com certo ar de "casa fixa", tive essas cinco moradas que citei ao longo do texto, mas considero como casa também o apartamento da Jamile. No meu TCC eu faço referência a ela como sendo  "minha mãe, irmã, tia, esposa, amante, conselheira, advogada, curandeira, líder espirituosa e merendeira em Marília", e, assim sendo, o apartamento dela sempre me foi "casa da mãe, da irmã, da tia, minha casa, casa da amante, central de conselhos, escritório de advocacia, tenda de cura, centro espiritual e restaurante de livre acesso/boca livre". 

[foto de 2010, da vista que eu tive durante três anos do lugar que eu mais gostei de morar por aqui: o apartamento no André Luiz].


[aqui eu e o Du, com quem morei no primeiro ano da faculdade, tirando um sarro na cozinha do apartamento].

[essa aqui é a Jamile, num final de manhã após cumprirmos horas de estágio na escola, em junho de 2011].

[e aqui o Pedrinho e eu em janeiro de 2011, felizes com o ventilador que ajudava a suportar o calor].


Nenhum comentário: