terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Porra & Ventre.


Breve relato de José Gomes Neto - XII:

"Se eu fosse um desses biologicistas neuróticos que credita todas as qualidades e barbáries humanas a elementos celulares, DNA, genes e coisas do tipo, seria muito mais fácil explicar as coisas que vejo ocorrerem próximas de mim, e que não entendo. Tenho aqui comigo os meus entendimentos, de que somos o que fomos na vida, o que e com quem e de que forma vivemos. Enfim, somos produtos (constantemente no setor de trocas) de nossa vida nesta sociedade, nestes espaços. Eu acho. Mas deixo no ar (isto é, registro nas páginas sem linhas do meu diário de lembranças antigas) uma pergunta aos biologicistas que colocam as cargas genéticas debaixo do braço para abri-las e procurá-las na hora de explicar comportamentos humanos: pegue um grupo de irmãos (um, dois, três, etc, tanto faz), são irmãos sanguíneos do mesmo pai e da mesma mãe, e caminham por lados opostos da vida, tem entendimentos rivais das coisas, pensamentos nada similares do mundo, atitudes repugnantes de um para outro e para terceiro (quarto, quinto, etc, tanto faz), discordam em tudo, repelem em qualquer tema/ação/respiração, o que é desrespeito para um é voz alta para outro, o que é humanidade em um é animalidade para o outro e patê de frutas para um terceiro e nada demais para um quarto (quinta, sexto, etc, tanto faz), o que é inimaginável para uns é realidade para o outro. Como vocês explicam? Se vieram da mesma porra, e passaram pelo mesmo ventre?".

José Gomes Neto,
8 de Abril de 2012,
Filho único.


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