quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Paixão tem remédio?


Breve relato de José Gomes Neto XV:


"Quando garoto sofri de uma irremediável paixão pela minha mãe. Não havia demônio (ou professora da escola) que me tirasse da cabeça a ideia de que eu iria me casar com ela. Não havia papo de que 'sua mãe já é casada com seu pai' que me convencesse do contrário. Passou um tempo, comecei a querer virar adolescentezinho, e uma psicóloga indicada pela diretora da escola me fez entender que, é, realmente, eu não podia me casar com minha mãe. Aliás, me tornei adolescente de fato, quando percebi que não queria me casar com a minha mãe. Passou mais um tempo (e eu sempre tive dificuldades, com as contas e com os tempos) e nas minhas paixões do fim da adolescência e começo da adultescência, eu era irremediável. Passava o tempo, mas não curava a paixão. Irremediável, praticamente sem remédio. Hoje em dia eu penso que só tenho vontade de olhar nos olhos de algumas destas paixões, que vejo passarem, de longe, como pessoas feitas (algumas casadas, com filhos, que talvez sejam apaixonados pela mãe ou pelo pai) e dizer: "que belo ser humano você se tornou"".

José Gomes Neto,
13 de Fevereiro de 2009,
Apaixonado sem remédio.


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