sábado, 4 de janeiro de 2014

31 de Dezembro de 2013.


Acordei cedo para esperar os dois homens que vem vender gelo na frente do camping - pois o local mais próximo daqui que vende gelo fica a 8 quilômetros, eu não vim de carro e os ônibus demoram a passar, de modo que, qualquer sujeito que venda gelo nas proximidades do camping está tornando estas barras de água congelada em ouro, tanto para ele, que vende, quanto para mim, que compro.
Acordei cedo e tinha como plano aguardar os homens com o gelo estando já com o corpo sendo banhado pelo mar: os veria encostando o carro em frente ao camping, sairia do bolsão de água salgada e diria: "olá, bom dia, gostaria de comprar uma barra de gelo". Não consegui. A água estava muito fria, e me contentei em caminhar pela areia com os pés na água.
Aliás, logo que tirei a regata, a coloquei sobre o ombro direito e comecei a andar (acompanhado pelas pequenas ondas que quebravam em meus calcanhares) me recordei que se tratava do "último dia do ano", e me questionei: "devo pensar sobre o ano que passou? devo pensar sobre o ano que virá? traçar planos? fazer resoluções? pensar em crises? lembrar de problemas? me prevenir de cansaços?".
Continuei caminhando.
Comecei a cantarolar mentalmente aquela música do Chico Science, que diz que "no caminho é que se vê, a praia melhor pra ficar". Observei que era coerente estar cantarolando-a na praia.
Observei que andava tranquilamente, sem pensar em problemas, sem pensar no que pode dar errado no futuro próximo. Acho que pensava que não pensava em nada, e isso foi estranho.
Observei que, na verdade, cantarolava e pensava que eu sei o que vou fazer, como quero fazer e onde vou fazer. Pelo menos no recorte temporal dos próximos 730 dias.
Andei até as pedras da ponta da praia, de pé em pé, de pulo em pulo alcancei um ponto bem alto, e me sentei para assistir o fim do nascer do sol. Uma cena bem bonita, acompanhada pelo pensamento de que, é, se cheguei ao último dia de 2013 caminhando por uma bela praia, foi por que, nos últimos anos, com todos os buracos em rodovias e desvios em avenidas, consegui encontrar neste caminho todo uma praia legal pra ficar, que, por ora, parece ser a praia melhor.


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