segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sabores, cheiros e palavras das férias.


Dezembro entra rasgando, junto com o rasgar da penúltima folha ­­­­do calendário do ano.­­­ Já está quente no finzinho de novembro, o corpo já está cansado e os olhos já dobram frente às obrigações do cotidiano.
Este ano, em especial, cansei mais do que nos últimos: ano de decisões importantes, ano extra como aluno universitário, ano de processos seletivos (que, benza deus, acabou por ser apenas um), ano de perdas, ano de muro de Berlim, ano em que voltei para a escola (embora, desta vez, do outro lado da mesa), enfim, ano de muitas coisas, era de se esperar que observasse dezembro surgir no horizonte com um cansaço maior sobre as pálpebras.
Chega o ar mais quente, as chuvas corriqueiras e fortes, já estou habituado ao horário de verão, as lojas penduram aquela porcariada verde, vermelha e iluminada, os mercados possuem pilhas e pilhas de panetones e espumantes, e a minha boca se enche de saliva ao receber das sensações filtradas pelo cérebro a seguinte informação: “um período de férias está chegando”.
E por mais que passem os anos, que os cansaços aumentem, que o passado se torne cada vez maior e mais largo e (alguns passados) mais distantes ainda, os sabores, cheiros e vozes que veem à boca ainda são os mesmos de anos atrás: bolo de banana da minha avó saboreado ao lado dela, a pólvora de bombinhas com o Fabinho e o Renato, e as conversas na sala com meu avô.

Mais do que as saudades que sinto daquelas férias (repetidas durante tantos anos), carrego aqui no peito a felicidade por lembrar que tanto as vivi.



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