quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Aqui Habita um Professor? - VIII


As quartas feiras são dias infernais na vida deste jovem professor, começam às 5h40min, quando acordo, e terminam normalmente às 20 horas e uns quebrados, quando chego em casa, quebrado.
Ultimamente têm sido seis aulas pela manhã, uma tarde inteira ocupada com algo útil (estudo, descanso, passeio pela bela Vera Cruz) e duas horas-aula de "reunião de professores". 
Após essa maratona, sempre volto para Marília de carona com algum professor e, às vezes, pego carona com um professor que me deixa num dos principais supermercados de Marília. Como foi o caso ontem.
Hoje, quinta feira, quando cheguei pela manhã na escola, travei o seguinte diálogo com uma aluna:
-Sor, vi você no mercado ontem!
-Ontem? - pensei que fosse no mercado de Vera Cruz.
-É, na fila do caixa rápido.
-Ah, pode crê. Lá em Marília?
-Isso. Mas - começa a rir - cê não toma banho não sor?
-Tomo sim pô, por que?
-Você tava com a mesma roupa que deu aula.
-Brodi, tava com a mesma roupa por que tinha acabado de sair da escola. Passei o dia aqui ontem!
-Ah tá - achei que o papo tinha se encerrado, quando a menina me solta: e por que que você tava comprando três cervejas, um pacotinho daqueles de linguiça, iogurte, pão, amendoim e um outro negocio? É só isso que você come?
(...)

Desde que começou essa brincadeira de dar aula, notei como "encontrar com o professor" em algum lugar é bacana pros alunos. Lembro-me, aliás, de como achava isso bacana quando era aluno.
Acho curioso esse tom de "personalidade pública" que os alunos (que gostam do professor, claro) dão para nós quando nos encontram por ai. Apresentam pro pai, falam pra mãe quem é o adulto que estão cumprimentando, dizem pros colegas que nos encontraram, gritam do outro lado da rua para chamar nossas atenção etc.
Porém, o detalhismo desta aluna para observar o que havia em minha cestinha, realmente me assustou...


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