terça-feira, 26 de novembro de 2013

Carta de resposta positiva aos que me nomeiam mau e/ou sem caráter.


Esta carta, ou "breve postagem" (era digital, século vinte e um), é dedicada aos amigos e amigas que questionam a índole de minhas atividades cotidianas. Que questionam a índole de meus posicionamentos cotidianos. Que questionam o andamento dos meus cotidianos. Que questionam as preferências, mudanças de rota, rumo e companhias que operacionalizo e aciono em meus cotidianos.
Àqueles e àquelas que questionam: "como pode fazer isso? idiota, babaca, trouxa, otário, mau caráter, sem caráter".
Vim lhes dizer que, de factum, o sou. Vocês estão certos em seus apontamentos. Obrigado pelo aviso, pelo informe, pelo toque, pela classificação subjetiva, pela nomeação. E me perdoem pela certeza em assumir tais verdades.

Sou o tipo de mau caráter que galanteia a namorada ou namorado do amigo ou da amiga até chegar às vias dos fatos, por puro prazer de me sentir mais altivo em meu coco matinal - ao imaginar a discórdia semeada naquele nicho de monogamia corrompida ante meu bafinho.
Sou o tipo de sem caráter que compra e vende e negocia (fazemos qualquer negocia) trabalho de conclusão de curso, projeto para pós-graduação e planos de vida.
Sou o tipo de descaracterizado que seleciona o item "não possuo outro vínculo profissional" para ganhar mais dinheiro de forma irregular, quando, na verdade, a carteira de trabalho está mais assinada que camiseta promocional de time recém campeão repleta de autógrafos.
Sou o tipo de sádico que conta pra diretora da escola que o aluno escreveu "professor bobo" no caderno, só pra vê-lo levar bronca.
Sou o tipo de malaco que diz que o lugar que você frequenta é uma bosta de lugar, mas logo logo tô lá.
Sou o tipo de canalha que toma uma atitude em nome de meu amor contemporâneo, para em seguida encontrar outros meios, caminhos, nomes e logins de seguir atazanando as paixões passadas.
Sou o tipo de cretino que vê a nota de dez cair do bolso de um anônimo e espera que ele se afaste, para que possa me considerar dez reais mais rico.

Em suma, vocês estão certos: eu sou o cara-sem-caráter que abdica de um amor, de uma companhia frutífera, saborosa e cotidiana dos últimos tempos em nome de arriscar um romance com a gerente da agência bancária, que é linda e habita os sonhos de todos os juros, moratórias, caixas eletrônicos, bobinas de papel de extratos bancários e envelopes para depósitos de cheques.

Este sou eu. 
Vocês sempre estiveram certo.
Valeu,
Gabriel Coisó - judeu e descendente de franceses.


"V, de Verdade".

Um comentário:

Anônimo disse...

Cara,

-euri.

AEKOEAKOAEKAOEKOAEKOEAKOEA :D