quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Sete de Outubro e a pista de salsicha.


A sexta à noite foi vivida, idem para todo o sábado e todo domingo. Não, não é aquele caso de dizer: “se foi o final de semana” ou “como passou rápido o final de semana”. Na verdade, foi o exemplo mais fidedigno do que se pode chamar de vivê-lo plenamente – em termos futurologistas, talvez seja o caso de dizer “foi aberta a temporada oficial de festejos por esta breve e suada conquista”.
Quando voltamos – eu e todos os moleques e manolas que moram em minha cabeça – para a órbita comum dos dias de semana, isto é, quando chegou a segunda feira (e suas inegáveis e inescapáveis obrigações), ocorreu o que não se sentia ocorrer havia tempos/anos: calma, tranqüilidade, pés rígidos, passos firmes.
Sobretudo, havia por aqui – moleques e manolas – calma e tranqüilidade, guiando este corpo, já “não tão pesado”, em passos certeiros, e, por que não, plumamente leves.
Andando sem pressa, pensei nos infortúnios não esperados, nos vividos negativos deste 2013 – como canta o Jair Naves (numa versão ao vivo), pensei que “eu sobrevivi [caralho]”.
Segui andando vagarosamente ao meu destino matinal, pensando nas cápsulas de desgosto, nas chateações comprimidas, nos empurrões expandidos e nas demais coisas ruins vividas neste intervalo de tempo que compõem 2013, ou seja, entre o final de 2012 (pra mim reveionzado no dia 16 de Dezembro daquele ano) e o agora, a manhã deste 7 de Outubro.
É aquela velha história, quando a gente alcança uma vitória, por mais simples que seja, ela torna irrisórias todas as derrotas e dores (di)saboreadas no período, faz-nos esquecer das partidas negativas vividas até que se erguesse a taça da vitória – e os copos da celebração.
A gente nem se lembra (e se lembra, nem liga) que o Corinthians apanhou por 5x1 no começo do Brasileirão de 2005, pois fomos campeões no fim do Campeonato.
Em geral, em suma, cheguei à segunda feira, sete de Outubro, passeando por entre plumas de salmão rosado e gotejos de chocolate. Os pedaços longos de duro asfalto, pelos quais perambulo todos os dias, me soaram como a mais bem feita rua de salsicha - daquela musiquinha da época da escola, que alertava ao motorista dos ônibus de excursão escolar: “motorista, olha a pista, não é de salsicha”.
No caso da manhã da primeira segunda feira posterior ao resultado de minha aprovação no mestrado, e posterior a um final de semana repleto de abraços e carinhos com dezenas de pessoas me parabenizando, os moleques e manolas da minha cabeça cantarolavam, eufóricos em seus lugares dentro do ônibus, que a pista era, sim, de salsicha.
***
Falei das coisas ruins, dos buracos no caminho, e não falarei das coisas boas? Sou realmente um reclamão que só sabe olhar a parte vazia do copo? Um resmungão de primeira linha, atento apenas às porquices do trajeto?

Às coisas boas, às pessoas boas e vitais aos meus trajetos, aos acontecimentos positivos, às sensações de deveres cumpridos, e, por fim, a esta breve conquista ainda recente, a única coisa que posso ousar pensar em declarar por aqui é o alinhamento dentário na foto abaixo:



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