quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Isto não é apenas um show.


“Dia 13 de Setembro tocaremos em Bauru, ajudem a divulgar”, foi um twitte publicado no perfil da minha – sem hipérboles – “banda favorita”.
Como ocorrera nas outras duas vezes em que algo deste gênero (e envolvendo esta banda e cidade) foi publicado em redes sociais nos últimos seis anos, prontamente disse: “eu vou”. E eu vim.
Todas as três vezes (2009, 2010 e agora, 2013) foram completamente diferentes em si. A vida muda rapaz – e se viajei alguns quilômetros e gasteis alguns vinténs nestas ocasiões, foi por sempre crer no que diz uma música: “vem dar valor ao que é bom nessa vida, que é tolice viver por viver (...)”.
Desta vez sai da escola, onde tento me habituar com a idéia de que “sou professor”, e vim para cá, Bauru. Cheguei cedo: a casa em que ocorrerá o show abre apenas às onze da noite, e eu desci do ônibus na rodoviária, precisamente, as duas e vinte e sete da tarde.
Havia o intuito de comprar ingresso ao preço de antecipado, e uma grade de horários dos ônibus que me levariam de Marília à Bauru que não contribuía para que tal ação fosse possível e, outro fator importantíssimo para ter chegado cedo: para mim não se trata apenas de dizer “vou em um show” ou “vou pra um rolê” ou, mais ainda, “vou consumir um serviço músico-artístico-cultural”.
Pra mim tem de ser um dia, cujo ápice será o show, e que tem de ser vivido, sentido. Para se chegar ao ápice dele plenamente, há de existir espírito, vida, vivacidade. Há de ter dia no dia, noite na noite.
Caminhei pela cidade sem ter o que fazer; comprei um livro, uma bermuda (tava muito quente, e viajei de calça), tomei cafés; escrevi dezenas de idéias em meu caderninho de capa vermelha, redigi alguns “próximos passos” para a vida; centenas de sms’s foram trocados (os destinatários são especiais). Comi cookies integrais, um pastel, tomei uma coca, um iogurte, uma rainequem, bolachinhas assadas sabor peito de peru foram engolidas, conversei com estranhos, pedi e – pasmem! – dei informações sobre caminhos naquela cidade (vocês sabem, eu tenho um passado por aqui...).
Se isso aqui fosse uma propaganda de cosméticos, poderiam dizer que eu tive “um dia avon” ou que vivi “momentos natura”.  
A verdade, entretanto – e esta foi uma ficha que me caiu caminhando positivamente entediado, me encontrando comigo mesmo de uma forma deliciosa – é que faz nove anos que eu ouço e gosto dessa banda, que faz oito anos que eu os persigo por ai (São Paulo, Bauru, cidades do Abc), que faz seis anos que semanalmente (ou quinzenalmente, depende) eu visto uma camiseta com a frase “e que talvez teu mundo não tenha lugar pra mim” impressa (e já desbotando) nas costas.
Pra mim isso tudo – andar entediado, músicas, CD’s, shows, camiseta, adesivo colado na cômoda do quarto – faz todo o sentido do mundo, do “meu mundo” (pra seguir, de novo, a lógica dos comerciais de cosméticos). E que no “meu mundo” tem, sim, lugar pra mim – coisa que bestamente neguei nalguns períodos.
Enfim, após todos os anos “indo atrás da banda” (sendo “macaco de auditório”, como diz meu pai) entendo que, na verdade, não estou meramente indo atrás de uma banda (de um show, de um role, de um serviço músico-artístico-cultural). Estou indo atrás de um momento, de pouco mais de uma hora (às vezes nem isso) de músicas que conheço bem. Estou indo atrás de palavras, de acordes que, ali, no frigir da frente do palco, me representam.
Estou indo atrás de mim.
E, me perdoem pelo final individualmente apocalíptico, mas quem não possuí vínculos enraizados de identidade e auto reconhecimento no universo ao seu redor (músicas, bandas, um time, um lugar etc), jamais entenderá o prazer que vivi ao saborear uma sexta feira de tédio, calor e eu mesmo, coroada e em razão de estar em um show do Dance of Days na cidade de Bauru.


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