terça-feira, 3 de setembro de 2013

Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem - Oito.


Parte 1:

Às terças e quintas,
Tenho saído de casa cedo,
Muito Cedo.

Aliás,
Tenho saído de casa,
Naqueles instantes limítrofes,
Entre o "muito cedo" [da manhã],
E o "muito tarde" [da noite].

Moro às beiras da rodovia,
E os meus primeiros passos,
Teriam como trilha sonora,
[Não fossem os fones de ouvidos],
O ruído de um ou outro,
Caminhão madrugante.

A escuridão da rodovia,
[E da região],
Premiam-me com um céu,
Salpicado de estrelas,
Enquanto tranco o portão.



Parte 2:

É tão cedo,
[Ou tão tarde],
Que não há ônibus,
E preciso caminhar/correr,
Por quarenta e cinco minutos,
3,8 quilômetros.

Ao chegar numa esquina,
Um movimento paralisa-me:
É um cachorro,
Que também se paralisa,
Nos encaramos,
[São alguns segundos,
De olhos fixos na madrugada],
E seguimos nossos rumos.

Adiante ocorre o mesmo,
Comigo e um gato na margem da rodovia,
Comigo e um cachorro manco,
Comigo e dois gatos de cemitério,
Comigo e um frentista do posto,
Comigo e um bêbado de bairro,
Comigo e um entregador de jornais.

Parte 3:

Desliguei a música dos fones,
Para ouvir o som dos meus passos,
Meus próprios passos,
Me fazendo ir adiante,
Seguir em frente.

Sabe,
Nessas terças e quintas,
[Em que não faz diferença,
Deus ajudar ou não,
Este cedo madrugador],
Ouvir os meus passos,
Pensar na minha passada,
Aparentemente, para frente,
Não tem me assustado.

Pelo contrário,
Tenho sido até um cara,
Se sentindo bem,
Dizendo "bom dia",
E escrevendo notas,
Antes mesmo do sol,
Dar as suas caras.



[e aqui, encerro as "Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem"].

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