quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Enxerto em fim de noite.


Era fim de noite. Não pra nós, mas pra eles. Para nós, tudo indicava que "noite" só se encerraria para além do nascer do sol. Para eles, que já iam embora, cansados e com os olhos semi cerrados, havia o claro indicativo de "game over", de "fim de rolê".
Por eles, entendam um cara de bigode e cabelos bem moldados, trajando roupas leves e claras; acompanhando uma moça que vestia um vestido preto folgado com estampas coloridas, cabelos curtos e dourados, e uma maquiagem chamativa na região dos olhos.
Por nós, entendam "Tijolo", com requintes de fritada espanhola - espécie de omelete mais bem recheado e, obviamente, fritado.

Ao saírem, eles se aproximaram de nós, em uma abordagem feroz, extremamente carinhosa e elogiosa: "linda camiseta"; "excelente look"; "nossa, tá bem acompanhado"; "tá bem acompanhada, hein?". Eles falavam. E como falaram. Aliás, falavam e gesticulavam com requintes de bons empanados - aqueles que são devidamente passados nas farinhas.
A saída, triunfante, elegantemente marcante e (pasmem) repleta de seriedade - como as melhores sacadas dos melhores quadros dos melhores criadores de humor non-sense - foi a moça do cabelo dourado olhando um de nós dos pés a cabeça (e da cabeça aos pés), apoiou a mão no peito do interlocutor e disse: "estou apaixonada por você, mas não pelo que tem aqui dentro [do peito], mas sim por esse visual todo, por que eu sou fútil".
Deu um beijo em seu próprio dedo indicador, o apontou para nós e foi embora. Seguida pelo rapaz Dibi - dibigode.





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