sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Carnificinas de Paixão - Dois.


Sempre esbaforido, corre pra lá/corre pra cá pra deixar a casa minimamente arrumada. Naquela época tinha que sair de dentro de casa e ir abrir o portão pra quem chegava, pra quem estava esperando que chegasse. Enfim.
O importante é saber que alguém chegaria, e, ao o fazer, eu teria de sair de casa e abrir um portão. É importante também saber que me esforçava para retirar nacos de poeira, bolotas de mau cheiro e demais maledicências anti-higiênicas que se amontoavam pela casa, e também que buscava não suar (já havia tomado banho, e já estava 'vestindo meu terninho', ao melhor estilo 'Kiko, vamos na festa dos Pires Cavalcanti, não se suje').
Quando meu celular recebeu uma mensagem com o dizer "cheguei :)", prontamente vesti minhas chinelas chiqs (ainda não estava de tênis) e fui abrir o portão.
O sol batia e refletia seus últimos raios - suficientes para iluminá-la ao portão - e fui, passo a passo, observando-a ao longe. Estava mais linda do que habitualmente. Não sei se era a combinação "sapatinho preto-saia dins-camiseta longa estampada-sorriso encantador", não sei se era um misto de "saudade pré-nascente" com "desejos já-sabidos". Mas havia algo ali elevando um tanto aquela beleza toda que se encontrava por detrás das grades.
Sei, por fim, que quando cheguei ao portão, e encaixei chave em fechadura, balbuciei mentalmente que, estando ela do outro lado deste, me sentia ali um carcereiro de cadeia: ela, ao prender em si tantos atributos belos e esteticamente convidativos ao saborear dos olhos [e etc], era uma presidiária, a presidiária das belezas.



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