terça-feira, 27 de agosto de 2013

Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem - Sete.


Os passos se desembaraçam pela rua, ainda quase nada tortos, são retilíneos e ainda perigosos - se trata de "cedo", quando há expectativa de ver o sol nascer.
Mas, por outro lado, aquele velho demônio (e seu garfo com extremidades pontiagudas) fica a cutucar o ombro, as orelhas, as nádegas, como quem diz: 

"otário, não vai güentar, não vai ficar pra ver o sol raiar, vai dar meia volta, vai voltar, de repente, do nada; otário".

O que responder ao tridente do velho demônio? 
As palavras rabiscadas no caderninho de bolso - já é tarde, o caderninho é iluminado pelos primeiros raios do sol - com as mãos trêmulas do frio e cambaleantes como as ideias firmes:

"Ufa, ainda sei ser simpático, ainda sei falar, ainda sei ouvir, ainda sei sorrir; ufa, ainda sou gente, assim, humana".

Pro inferno com os tridentes que fizeram, durante um curto, mas doloroso tempo, os passos se desviarem por medo da própria inumanidade: eu sou gente, eu sou humano e quero gente - humana.




Nenhum comentário: