sábado, 10 de agosto de 2013

Aqui habita um professor? - IV.


[Na verdade, quando você é um cara que tá se sentindo bem, consegue encontrar poesia nas coisas que faz, muito mais do que quando tava se sentindo mau, as encontras [ou elas surgem] até mesmo no próprio trabalho. De modo que este texto se articula com outra série ainda corrente neste blogue: "Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem"].

Deveria estar dedicando todos os dias destas duas primeiras semanas de Ao-gosto para os estudos à prova do dia 19. Mas não estou o fazendo. 
Deveria estar passando dia e noite com a cara atolada nos livros, mas apenas o faço nos intervalos das aulas que 'peguei' para dar nesses dias.
Não queria ter 'pego' estas aulas, em Julho havia me feito jurar que não 'pegaria' mais aulas, para poder estudar. Mas, veja só, eram 24 aulas semanais, e de Artes. 
Como já disse alguns anos atrás, Deus Debocha de mim, de você e de nós. E ele tirou um grande sarro de mim, me colocou em xeque ao fazer caírem em meu colo estas 24 aulas de Artes. E eu, pipoquei à promessa feita a mim mesmo.
Pipoquei aos planos traçados longinquamente lá pros idos de Abril deste 2013?
Se fossem 24 aulas de Geografia (em tese, a disciplina de que sou professor na Escola) ou de História, eu nem teria pensado para dizer à secretária do colégio: "olha, não posso não".
Mas eram de Artes.
E ai, o cara que não sabe ao certo se é professor, que não sabe qual prática docente operacionaliza; o cara que se sente mais um PM dentro de sala de aula que um educador; percebe que, na verdade, ruim não é dar aula, ruim é ensinar o que tem que ensinar - geografia física, fotossíntese, biomassa, lençóis freáticos, credo.
Mas vieram as aulas com perfume de giz-de-cera, com som do ruído dos apontadores; vem alunos - reconhecidos universalmente dentro da escola como 'baderneiros sem limites' - demonstrar criatividades, ideias, disposições também sem limites.
Aliás, com limite: 50 minutos por aula.


"Eu deveria estar apenas estudando para a prova do mestrado de Antropologia Social, mas estou me encantando e deliciando lecionando teorias, histórias e técnicas sobre grafite: aqui habita um professor?".


Foto de quando ministrei, junto à querida Professora Rita, uma oficina de Estêncil e Sticker em 2005, no colégio em que eu cursava, neste ano, o segundo colegial.


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