terça-feira, 30 de julho de 2013

Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem - Três.


Isto é um diálogo:

-Ai eu tava pensando, que depois que passa tudo, as brigas, os empurrões, as ameaças e tudo, e a gente começa a se sentir meio bem, mais, meio racional, ficam só umas perguntas simplíssimas, até meio cretinas, do tipo: "como posso ter perdido tanto tempo com uma pessoa tão ruim, uma pessoa tacanha?". Sabe, cê fica nessa, e ai vai superando e indo, e caindo um pouco, é verdade. Mas vai. Vê, percebe, entende que perdeu tempo, que perdeu vida. E que não quer mais perder. E ai, segue a vida.
-Tacanha?
-Ahn?
-Tacanha. Que que é uma pessoa tacanha?

Aí o diálogo se rompe, é substituído pelo silêncio. Aliás, aquele silêncio constrangedor em que se percebe que a pessoa disse algo que não sabe ao certo explicar o que é. O famoso "falou besteira". O protagonista da fala se esquiva:
-Bom, tacanha sabe? Uma pessoa tacanha, como se diz...
-Sério cara. Não sei. Que que é isso?
-Cara, de verdade, não sei não. Falei bosta. Foi mau.
-Vou ver aqui na internet do celular.
-Pode ver ai no google. Digita "pessoa tacanha", e aposto que vai aparecer uma foto dela sorrindo fingindo tá feliz com a família vestida de Tropa de Choque.

Começam a rir, o celular volta pro bolso, sem se realizar nenhuma pesquisa: a definição do termo/pessoa, na situação, deu-se da melhor forma forma possível.


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