sábado, 27 de julho de 2013

Notas cotidianas de um cara que tá se sentindo bem - Um.


Ainda não sabia ao certo em que ponto eu desceria. Confuso e semi-perdido, não sabia se era melhor descer no início de uma Avenida, ou se no topo de outra - baldear entre ônibus, quando faz tempo que não se perambula por algum lado de São Paulo, tem dessas coisas.
Quando cheguei ao fundo do ônibus, pensando "Avenida Pacaembu ou Doutor Arnaldo?", fui surpreendido por uma moça de rosto lindo e seriedade encantadora sentada no último banco. Apressada, se maquiava.
Era uma face belíssima, se recontornando, realçando as próprias belezas.
Perdi o primeiro ponto em que poderia descer. 
Fingi olhar pelo vidro que havia atrás dela, apenas para acompanhar o abre-e-fecha do estojo com os utensílios de maquiagem, o deslizar do rímel em seus cílios, o movimentar da cabeça com os olhos encarando fixamente o pequeno espelho.

"A gente percebe que a pessoa tem algum vínculo com a arte quando ela pinta um belo retrato mesmo com o ônibus balançando".
Dizia o bilhete que escrevi (em pé, em frente à porta do ônibus) e que lhe entreguei segundos antes de descer do mesmo.


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