quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fim de Romance - XI.


Com uns parafusos a menos, uns chutes e alguns ditos, dentre eles que "é nosso, é nosso, não precisa espalhar", o purê de batatas que habita meu crânio desandou. O silêncio me engoliu. Na verdade o silêncio me mordia. Dormia, e acordava, e trabalhava, e vivia os dias sendo mordido. Carcomido pelo silêncio. Na verdade, quem me mordia, não era o silêncio, mas era o monte de coisas ditas. O monte de coisas feitas. O monte de absurdos vividos - desandadores de purês de batatas mentais! O silêncio entre os outros, se manteve, o silêncio entre nós, se criou. O silêncio entre outros, foi quebrado, misteriosamente: sem remetente, sem assinatura, sem referência. Os absurdos vividos morderam com mais força, com mais dentes, com mais ódio. Desperta criatividade, desperta purê de batatas, desperta cabeça: faça algo útil com essa raiva, com todos esses despropósitos, se livra dessas mordidas, desses empurrões no corpo e na alma. Tudo ia bem, então, outra mordida: um pedido externo de censura, pois "as pessoas leem e falam por aqui, e isso faz mal". A culpa é de quem escreve ou de quem lê e corre a falar? Um sentimento de superioridade soprou, a certeza da mediocridade alheia ecoou. Três dias de silêncio (por mera chacota, assume-se). 
O Fim de Romance já acabou, faz tempo. 
Aqui, enfim, o Fim do Fim de Romance.
O retorno do purê de batatas mental em seu devido lugar.

Abaixo, os links para todos os dez números da série "Fim de Romance" e um par de fotos feitas em 2009:

Nenhum comentário: