quarta-feira, 24 de julho de 2013

Fim de Romance - IX.


Naquela terça feira fria um amigo me ligou, perguntou se eu poderia ajudar com sua mudança. Não sou do tipo que nega ajuda aos amigos, sobretudo a este. Quando estava chegando lá, um questionamento surgiu em meu aparelho de telefonia e mensagismo móvel: "onde você está?", "indo ajudar meu amigo com a mudança", "não acredito que você vai ajudá-lo!", "e por que não crê?", "não tem problema nenhum", "ok", "mas também não precisa vir aqui depois", "ai ai, qual o problema?", "você tá testando minha paciência", "não, não tô, vou ajudar o cara e depois passo ai", "não precisa passar, aliás, morra!", "beleza".
O corpo ficou cansado, arrasta móvel, coloca geladeira e freezer na caçamba do carreto, ajuda a descer do carreto, arrasta pra dentro da casa nova, posiciona na casa nova. Encosta, toma um ar e vai encontrá-la em sua casa.
Aparelho de telefonia e mensagismo móvel em mãos: "tô descendo", "morra, não venha", "para vai, tô chegando", "volta, morre", "abre o portão aqui pra mim", "não abro, vai embora", "bom, vou ficar aqui", "foda-se, vai embora".
Resolve abrir a porta, na verdade o portão estava aberto, abriu mesmo foi a porta, e abriu só pra xingar, só pra agredir, sem querer justificar em qual artigo da sessão "infidelidade e traição" estava o ato de ajudar um amigo com uma mudança. 
Grita, xinga, manda embora, bate, dá porrada (com toda a força), joga no chão, deixa o corpo ali caído, fecha a porta, entra, não se arrepende, não reaparece.
Levanta o próprio corpo, apanhado, humilhado. Junta os cacos da auto estima. Ainda chama mais uma vez. Cospe no chão, mancando - com uma perna torta, e o corpo dolorido - caminha pra casa.
Fim de Romance. Pois ajudei o amigo com a mudança (?)


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