segunda-feira, 15 de julho de 2013

Fim de Romance - III.


Era um rapaz que gostava muito de me fazer surpresas, adorava me ver toda envergonhada com as sutilezas que me fazia. Como no dia em que cantou para mim, me matando de vergonha, em plena calçada. Num outro dia me mandou uma mensagem no celular, perguntando se eu topava ir comer um lanche com ele à noite, em um destes trailers que fazem lanches grandes e gostosos. Disse que topava, claro, eu gostava dele. Aliás, eu gostava muito dele. Estávamos juntos havia algum tempo já, nada sério, não falávamos sobre isso (eu nunca falo sobre nada, e às vezes culpo o outro pelo silêncio que eu mesma imponho). O sexo não era tão bom assim, na verdade, ele era bem ruim - eu costumava levá-lo ao auge antes de que fizesse qualquer coisa muito errada comigo - por que eu gostava dele, e queria estar com ele, mesmo que o sexo fosse horrível. Nesta noite em que fomos comer lanche, quando cheguei fui surpreendida por ele com muitos de seus amigos e amigas numa longa mesa. Quando me viu chegando, se levantou e me deu um beijo entre a boca e o rosto (veio beijar minha boca, mas eu virei o rosto, não gosto de muitas demonstrações públicas de carinho, eu sempre enfatizo isso; mas se quero e não tenho, culpo o outro por não realizá-las). Eu estava entre surpresa e assustada, achei que seríamos apenas nós dois. Pedi meu lanche, bebíamos refrigerante e havia muitas conversas entre todas as pessoas na mesa. Pouco depois que nossos lanches chegaram, o menininho olhou para os amigos e pediu que fizessem silêncio, então, pegou em minha mão e disse que gostava muito de mim, que adorava estar comigo e que queria muito namorar comigo. Eu não sabia onde enfiar a minha cabeça, e fiquei olhando para o meu lanche. Pão, hambúrguer, milho, alface, tomate, queijo, ali tinha tudo do jeito que eu gostava. Delicadamente soltei minha mão da dele, disse que precisava ir pra casa. Pedi pra moça do trailer colocar o meu lanche numa embalagem para viagem, paguei, me despedi do menino fazendo cara de "não posso fazer nada", e fui embora. Ele estava com uma expressão triste, mas a culpa pelo fim do romance, foi toda dele: onde já se viu, pedir uma mulher fria, decidida e trêmula como eu em namoro?



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