domingo, 14 de julho de 2013

Fim de Romance - II.


-Sabe, quando a gente tiver grana não vai ser num pico desses que vamos vir não.
-Ah não?
-Não! Cê acha que quero passar a vida vindo em lugar assim? Tipo, não tem nem um espaço considerável aqui entre a cama e a porta, não tem nem um box ou uma porta pro chuveiro.
-É...
-E, pô, a gente usou esses chinelos aqui pra tomar banho, mas tô com medo que, sei lá, cobrem da gente por termos os usado sabe?
-[Ri, desconfiada].
-Ou então, sei lá, que esse chinelo fique ai sempre, e uns trinta e cinco casais diferentes já tenham usado eles. 
-Credo. Devem trocar de vez em quando. Eu acho. Jogar fora sempre.
-Não, mas sério. Quando a gente tiver dinheiro vamos nuns lugares mais bacanas. Com suítes temáticas.
-Tem disso?
-Tem. Nunca fui, é caro, mas sei que tem.
-Nossa, que legal!
-E vamos naqueles que tem frigobar também.
-[faz ar de surpresa e sorri um lindo sorriso de moça com sorriso bonito] E vamos beber champanhe?
-Claro! Como a gente vai ter dinheiro, vamos ter um carro, e ai vamos entrar com umas três ou quatro garrafas de champanhe no carro.
-Como assim?
-Vamos comprar umas champanhes antes no mercado, trazer no carro e colocar no frigobar da suíte.
-É sério?
-Claro. E ai vamos ser tipo patrão tomando champanhe na suíte firmeza.
-Quê? - incrédula.
-Ué. Tô falando algo errado?
-Claro que tá! Você acha que eu sou o quê?
-Ah?
-É! Acha que eu sou o quê? Eu quero beber a champanhe da suíte!
-Bom, na suíte vão cobrar umas quatro vezes o preço do mercado.
-Não importa! Eu quero beber a da suíte! Você tá achando que eu sou o quê?
-O quê?
-É! O quê? Tá pensando o quê de mim?
-Sei lá, tô aqui fazendo plano de passar um tempo na vida, trabalhar, ter dinheiro, ter uma vida menos contada em moedinhas pra tomar uma cerveja no boteco, ir numa suíte bacana com você. Com você. Penso nisso. Em futuro. Com você.
-Mas eu não acredito que tá falando sério com isso da champanhe.
-Tô ué.
-Tá vendo como você não me valoriza? Eu quero ir embora. E não quero mais nada com você.






Um comentário:

Alex Arbarotti disse...

não é fácil valorizar